terça-feira, 2 de Setembro de 2014

Jornada 3

O Rio Ave goleou o Boavista por 4-0 e manteve a liderança da primeira liga ex-aequo com o Vitória de Guimarães e o FC Porto, mas beneficiando da diferença de golos. Até ao momento mora em Vila do Conde uma equipa goleadora que já tem 11 golos marcados e apenas um sofrido. Além disto, a equipa de Pedro Martins também conseguiu o apuramento para a fase de grupos da Liga Europa. No entanto, a grande prova de fogo dos vila-condenses vai começar no próximo dia 18 quando entrar em campo para iniciar a participação nas competições europeias. De Setembro até Dezembro haverá uma nova realidade em Vila do Conde, sendo que a participação doméstica vai ditar se o Rio Ave será a partir de agora um candidato assumido aos lugares europeus. Para já, a formação de Pedro Martins pode ficar isolada no primeiro lugar na próxima ronda. Para que tal aconteça é preciso vencer um Moreirense que está bastante orientado e em Guimarães haja empate entre o Vitória local e o FC Porto. 

A jornada fica marcada pelo empate entre Benfica e Sporting, mas também pelo bom arranque dos históricos Sp.Braga e Vit.Guimarães, já o Marítimo tem vindo a recuperar em termos de resultados e exibições. A vitória dos madeirenses em Barcelos provocou a saída de João de Deus do comando técnico do Gil Vicente. De facto, a fraca qualidade com que os gilistas se têm apresentado desde a temporada passada fazia prever este desfecho. Posto isto, o Gil é em conjunto com o Penafiel e o Boavista as únicas equipas que não têm qualquer ponto, mas como só descem duas, os galos ainda estão a salvos. Contudo, o Penafiel tem mostrado mais equipa do que os axadrezados e os gilistas. 

Positivo:
Bom jogo entre Benfica e Sporting; veia goleadora do Rio Ave, pontaria de Jackson Martínez, juventude dos jogadores do Vit.Guimarães; capacidade do Sp.Braga em voltar a ter bola

Negativo:
Fraca qualidade da equipa do Gil Vicente, Maus arranques de Estoril e Arouca, desconcentração de Artur no derby lisboeta, encaixe de quatro golos pelo Boavista

Jogador da jornada: Jackson Martínez
Treinador da Jornada: Manuel Machado
Melhor jogador do campeonato após 3 jorandas: Maazou(Marítimo) e Miguel Rosa(Belenenses) com duas nomeações


segunda-feira, 1 de Setembro de 2014

Não será fácil ao Estado Islâmico implementar um califado no Iraque

O Estado Islâmico que tem espalhado o terror no Iraque e na Síria pretende instalar um califado islâmico na região e, ao que parece, também na Península Ibérica. Ora, a intenção do antigo ISIS tem sido expresso pela conquista de território iraquiano. Até ao momento, o EI tem estado afastado das decisões políticas que têm ocorrido em Baghdad nos últimos tempos com a substituição de Nouri Al-Maliki por Abadi. Neste campo os EUA ainda estão por cima, mas será a luta no terreno que vai determinar o futuro político do país. 

Não será fácil ao EI impor o Estado Islâmico, quer no Iraque quer na Síria. No Iraque, apesar de todos os movimentos, há a questão política e a provável oposição de grupos com outras etnias. A história deste país diz-nos que os grupos rivais têm ocupado o poder em momentos diferentes, não havendo uma subordinação dos sunitas aos xiitas e vice-versa. Por estes motivos é um erro o ocidente intervir política e militarmente no Iraque uma vez que as guerras pela conquista do poder vão ser eternas. E ainda há os curdos que do norte do país têm imensa vontade em chegar até à capital. É óbvio que o Ocidente tem de ter presente a ameaça do EI, mas duvido que os recrutas provenientes da Europa sejam para atacar Londres, Nova Iorque, Paris ou mesmo Lisboa. A intenção destes movimentos é angariar jovens militantes que não têm futuro em alguns países europeus e integrá-los em estruturas locais para combater o inimigo interno. O desastre humanitário originado pelas guerras na Síria, Líbia, Iraque e mesmo o conflito entre Israel e Palestina são responsáveis pela diminuição do número de pessoas que aderem a estes grupos parecidos com Al-Qaeda. Na minha opinião as motivações do EI não são as mesmas do grupo que era liderado por Osama Bin Laden. Embora o EI tenha nascido da rede, a sua luta é mais interna do que combater o inimigo de sempre. A recente decapitação de James Foley foi uma provocação para os governos ocidentais, mas também para as suas populações. 

Na Síria a situação é diferente porque as tropas de Bashar al-Assad estão bem preparadas no combate ao EI. A guerra no país foi desencadeada por grupos tribais com a mesma cartilha do EI. No entanto, nem todos alargaram a sua influência para a fronteira com o Iraque porque o principal objectivo era conquistar Damasco. A primavera árabe foi um problema para os governos dos países do Médio-Oriente porque a população começou a reagir contra as ditaduras, originando o aparecimento de pequenos grupos como o ISIS. O problema é que este começou a conquistar localidades como Mossul e depois foi alargando a sua zona de influência, abatendo tudo o que encontrava pela frente. 

Quando Obama anuncia o combate ao ISIS pretende também derrubar um movimento que pode causar perturbação ao governo central iraquiano. O problema disto tudo é o facto dos EUA continuarem em território iraquiano e a dirigirem a política local. No fundo, os iraquianos pretendem que o destino do país esteja nas suas mãos e não seja Washington a decidir. Há muito que os EUA deveriam ter saído do Iraque porque a sua interferência é responsável pela instabilidade que se vive no país. Contudo, não acredito que a administração Obama deixe os iraquianos governarem-se por si mesmos para evitar a construção de um califado islâmico, mas também para não haver contágio na região.

Tiro de partida

Ao acordar para ir trabalhar depois de umas férias em que não houve calor deve ter sentido um vazio por este Verão não ter havido política. Em 2013 os meses de Julho e Agosto foram marcados por uma crise intensa no governo que nos ia deixando à beira da bancarrota. Nesta mesma altura os socialistas já estavam com as facas afiadas e preparados para assumir responsabilidades governativas. Seguro havia ganho as directas no partido, sem concorrência, mas ainda não tinha vencido nenhum acto eleitoral. 

Um ano depois a situação é outra. O governo está estável porque cumpriu os objectivos propostos pela troika e os números da economia são uma esperança para a direita que ainda não sabe se concorre coligada nas próximas eleições legislativas que se realizarão daqui a um ano. As sondagens mostram que o PSD está a recuperar lentamente em relação ao PS. Neste momento são os socialistas que têm uma crise interna de difícil resolução cujo resultado no próximo dia 28 não vai alterar muito as divisões que não tem permitido ao partido obter vitórias eleitorais de forma absoluta. O PS tem as suas primárias no final do mês para escolher o candidato a primeiro-ministro, mas também o futuro secretário-geral. O avanço de António Costa, que não se candidatou às directas de 2013, fez com que Seguro arranjasse uma forma de impedir uma vitória esmagadora do seu oponente, seja em directas ou em congresso. Por esta via, o actual secretário-geral ainda tem hipóteses de vencer, ainda que mínimas. Em relação a Costa há um problema, porque o actual Presidente da Câmara Municipal de Lisboa já veio dizer que não será líder da oposição a full-time. Ora, Passos Coelho vai estar sozinho e a ganhar pontos no parlamento enquanto Costa decide um problema camarário. 

É óbvio que o resultado do próximo dia 28 atenue um pouco as divisões que existem no Partido Socialista. No entanto, pode surgir um problema jurídico uma vez que as primárias não foram aprovadas em congresso, situação que é estatutariamente obrigatória. 

Na minha opinião o PS daqui até às eleições não vai ser um partido diferente, quer ganhe António Costa ou António José Seguro. Nenhum dos dois tem ideias claras, uma comunicação excelente que faça distinguir do oponente. 

domingo, 31 de Agosto de 2014

Olhar a Semana - Não somos um país pessimista

Não considero que sejamos um país de pessimistas porque isso nada tem a ver com a génese dos portugueses. Podemos ser um povo preocupado com o futuro e a incerteza em relação a vários assuntos, porque estamos sempre à procura da estabilidade. É isto que está na nossa maneira de ser bem como no pensamento sociológico.

Enquanto sociedade somos um povo guerreiro e lutador, com facilidade em superar as dificuldades. A recente crise mostra-nos também que para enfrentar os problemas não é preciso levantar ondas ou organizar distúrbios sociais. Apesar destas qualidades todas não somos bons a olhar para o futuro de forma positiva. Pelo menos é essa a mensagem que passa. 

De facto, não se entende porque razão somos confrontados todos os dias com muitas notícias e comentários negativos, e, ao invés quando se trata de dar destaque a algo positivo não é devidamente tratado. Nesta hipótese aquilo que se coloca cá foro é, por certas vezes, alvos de choro de críticas ou comentários desagradáveis que tem como único objectivo não dar importância ao feito registado. 

quinta-feira, 28 de Agosto de 2014

Nova Rússia

Ao que parece a Rússia já entrou em território ucraniano pelo que a segunda fase da guerra já começou. A entrada de Moscovo para lá da fronteira significa o começo de um conflito há muito esperado. Confesso que sempre defendi a posição de Vladimir Putin nesta questão. Errei porque sempre pensei que o presidente russo nunca iria tomar tal posição uma vez que isso seria destruir a Ucrânia. Quase 6 meses depois das manifestações na Maidan, o país vai ficar dividido em dois, sendo que nunca mais irá voltar a ser o que era. 

O facto da agência de notícias dos rebeldes se chamar "Novorussia" mostra bem da intenção dos russos. No entanto, sempre acreditei que os separatistas estivessem desligados política e militarmente de Moscovo, até porque há muitos rebeldes não gostam de Putin, e nestes casos, estas organizações actuam sempre de forma independente dos governos centrais porque têm ideias e ideologias diferentes dos seus líderes democraticamente eleitos. Por isto é difícil compreender como é que a Rússia vai actuar com os rebeldes na conquista da Ucrânia. E se é apenas parte ou o país todo.....

Ficam questões por responder, mas já temos algumas certezas. A Rússia já está do lado de lá. De quem é a culpa? Ora, talvez os extremistas que originaram os protestos em Kiev possam responder....

quarta-feira, 27 de Agosto de 2014

Os "grandes" manifestantes

Nos próximos dias vai ser apresentado mais um manifesto que se denomina "manifesto dos 30". Entre os subscritores estão Campos e Cunha, Luís Filipe Pereira, Ribeiro e Castro, entre outros. Não é pelo facto de se apresentar muitos manifestos que a democracia em Portugal avança. O que este grupo defende é a possibilidade de haver candidaturas independentes à Assembleia da República. A ideia não me parece plausível porque isso iria desvirtuar o sistema, tornando-o acessível a populistas e demagogos. O que seria se o parlamento estivesse cheio de Marinhos Pintos ou Fernandos Nobres. Dar aos políticos a política e nada mais do que isso. 

Já escrevi várias vezes que não será com a introdução de independentes na AR que o sistema melhora, mas com a chegada de novos valores. Esta alteração passa por uma re-organização dos partidos que não está a ser feita por causa dos interesses que lhes estão adjacentes. Não seria uma má ideia os subscritores deste manifesto formarem um partido, porque, na minha opinião, é isso que precisamos. Se nas outras democracias vive-se bem com o pluri-partidarismo, porque razão em Portugal continuamos fechados em torno do PSD e PS?

No meu entendimento os mais recentes manifestos que foram conhecidos, mais parecem uma lista de exigências que normalmente são realizadas por manifestantes. Essa é a verdade nua e crua. As figuras que estão por detrás destes textos são pessoas que procuram um lugar na política, e por se encontrarem afastados, organizam este tipo de manifestações menos barulhentas. 

terça-feira, 26 de Agosto de 2014

E agora Presidente?

Quase dois meses depois da participação portuguesa no Mundial 2014, o presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Fernando Gomes, veio dizer que a selecção nacional não cumpriu os mínimos exigidos no Brasil. Se assim é porque razão o presidente federativo não demitiu Paulo Bento? 

É verdade que Roy Hodgson, Vicente del Bosque e alguns outros continuaram no cargo após as más exibições das respectivas equipas nacionais. No entanto, nota-se que há possibilidade do futebol praticado por algumas selecções evoluir. O que não acontece em relação à selecção portuguesa porque a culpa de nós jogarmos mal é da qualidade técnica do seleccionador. Embora haja questões relacionadas com o desenvolvimento e afirmação dos jogadores portugueses nas principais equipas nacionais. 

Não se pode manter um treinador que chama os piores jogadores em condição física para uma competição desportiva como é o campeonato do mundo. O problema é que o não apuramento directo para as fases finais é uma consequência dessa falta de exibições positivas. Ao primeiro empate na fase de qualificação para o França 2016, o povo vai reagir negativamente.

O presidente da FPF esteve mal em duas situações. Por não ter despedido Paulo Bento e só por agora ter reagido ao que se passou nos campos brasileiros. Espero que Fernando Gomes não seja mais um Gilberto Madaíl.

Jornada 2

O novo líder do campeonato à 2ªjornada é o Rio Ave em conjunto com mais quatro equipas, mas os vila-condenses golearam o Estoril e têm melhor diferença de golos do que V.Guimarães e o Belenenses que se defrontam na próxima semana e os dois grandes Benfica e FC Porto. Com zero pontos temos também cinco equipas: Nacional. P.Ferreira, Gil Vicente, Boavista e Penafiel. Os vila-condenses foram a grande figura da jornada porque foram a reduto de uma equipa que já está na Liga Europa dar uma chapa 5. Ainda por cima depois de terem feito uma viagem à Suécia para disputar o play-off da competição onde o Estoril já está apurado para a fase de grupos.

As duas outras equipas que estão em grande forma neste início de campeonato é o Vitória de Guimarães e o Belenenses, que embora não tenham feito grandes contratações, conseguiram aumentar o nível competitivo ao apostar na prata nacional. Na próxima ronda um destes dois clubes, ou os dois, vão deixar o grupo da frente porque vão jogar entre si no Restelo num jogo que promete qualidade nos dois lados. Por seu lado, Benfica e FC Porto continuam em bom estilo e podem ficar já isolados na frente da competição, caso haja um empate no Restelo e os vila-condenses não vencerem o Boavista. Contudo, os lisboetas têm um osso chamado Sporting que nesta jornada voltou a não brilhar e só venceu o Arouca em Alvalade nos descontos.

Positivo:
Goleada do ainda não europeu Rio Ave ao já europeu Estoril; boas exibições de V.Guimarães e Belenenses, primeira vitória do Marítimo após má exibição no Dragão

Negativo:
A inconsistência do Sporting, mau jogo em Moreira de Cónegos, a perspectiva de um Boavista com pouca qualidade, a razão da existência da formação do Gil Vicente.

Jogador da Jornada: Hassan 
Treinador da Jornada: Leonel Pontes
Melhor jogador do campeonato após 2 jornadas: Miguel Rosa com duas nomeações

segunda-feira, 25 de Agosto de 2014

Estamos lixados!

Por este andar não quero nem António José Seguro nem António Costa na liderança do PS, muito menos como primeiro-ministro de Portugal. O primeiro vai para São Bento dançar o vira e o outro não larga o barrete. É sempre bom quando os líderes partidários despem o fato e têm estes gestos simples. No entanto, é pena que tanto um como o outro não estejam a fazer uma campanha com dignidade. As pessoas e os media gostam deste tipo de situações porque ajudam a desanuviar o ambiente, sendo que as primárias do PS vão ser muito complicadas, em particular após a divulgação dos primeiros resultados no próximo dia 28 de Setembro. 

Até lá, Seguro e Costa vão percorrendo o país e mostrando que são políticos, mas também pessoas simples. Que também são seres humanos. Nem outra coisa poderia deixar de ser uma vez que os dois candidatos têm sido nulos em termos de propostas e ideias, coisa que se distingue em pessoas com um certo nível de intelectualidade e ideologia. Ora, já sabemos que Seguro é fraco politicamente, mas que Costa não tem nada para acrescentar. Quem vai ficar baralhado são os eleitores socialistas, porque os simpatizantes vão votar de acordo com aquilo que é melhor para o país. E em muitos votantes estarão militantes do PSD e outros partidos. 

Estrelas de papel

O Ice Bucket Challenge foi uma forma da Associação Norte-americana de Esclerose Lateral Amiotrófica angariar fundos para ajudar na descoberta da cura da doença. Nas últimas semanas várias personalidades internacionais colocaram nas suas páginas vídeos do desafio. Ao mesmo tempo, doaram uma quantia para a ALS. Sabe-se que Barack Obama não tomou um banho gelado, mas que também fez parte doou uma quantia. 

Por cá, as nossas estrelas também mostraram nas redes sociais que estão por dentro desta causa. No entanto, a associação portuguesa de Esclerose Lateral Amiotrófica não está a ver o dinheiro entrar. Ora, os nossos famosos são egoístas ou não têm um tostão. Na minha opinião trata-se mais do primeiro aspecto e não do segundo factor. Como é hábito à boa maneira portuguesa quando toca a contribuir financeiramente ninguém dá, mas quando é para aparecer e ter likes ou comments já todos querem aparecer. 

Não é a sociedade portuguesa que está mal, as nossas estrelas de papel só servem mesmo para encher festas e programas de televisão.

domingo, 24 de Agosto de 2014

Olhar a Semana - Como um comentário pode tramar um primeiro-ministro

O antigo líder do PSD e actual comentador da SIC está armado em bufo ou fonte oficial do governo. Na minha opinião Marques Mendes pretende ocupar o primeiro lugar uma vez que o executivo tem a sua máquina de imprensa montada. O analista disse que o IVA iria aumentar para 24%, mas o primeiro-ministro desmentiu esta notícia. Todos sabemos que o imposto irá subir para 23,5% e não chegará aos 24. No entanto, Marques Mendes decidiu aumentar 0,5 ao que estava inicialmente previsto. 

Ora, das duas uma: ou o comentador da SIC quer fazer sombra a Marcelo Rebelo de Sousa no que diz respeito a protagonismo mediático ou então pretende causar dificuldades ao primeiro-ministro. Não vejo outras hipóteses para além destas. No fundo é um pouco dos dois já que quem fica de fora da governação tem sempre mais dificuldade em aceitar o sucessos dos outros, ainda por cima a partir do momento em que as revelações de Mendes começaram a ser uma realidade, o comentador nunca mais parou. Contudo, uma informação falsa vai afectar a credibilidade do actual analista da SIC. Um outro problema é que Marques Mendes quer fazer papel de jornalista no seu próprio programa quando a sua tarefa é comentar as informações que os profissionais comunicam. O programa não se chama "Jornal do Marques Mendes, mas comentário de Luís Marques Mendes. De facto, este novo caso faz-nos pensar sobre o que a exposição mediática faz às pessoas. 

Como todas as pessoas que ouviram a notícia a primeira reacção foi culpar o executivo, em particular o primeiro-ministro. Na minha opinião Passos Coelho fez bem em desmentir a notícia e responsabilizar Marques Mendes. No entanto, ainda fica a dúvida que vai ser esclarecida no início da próxima semana. 

sexta-feira, 22 de Agosto de 2014

À americana

A notícia da melhoria dos médicos norte-americanos que tinham sido infectados com o ébola oferece esperança aos milhares de africanos que ainda se mantêm vivos. No entanto, a forma como os americanos festejaram o feito parecia saído de um filme em Hollywood. Muitas pessoas a darem vivas, a comunicação social em peso, e o mais caricato foi o facto do médico também ter usado a palavra. Ora, isto não devia ter sido feito de forma discreta, como aconteceu com a outra voluntária?

Poder podia, mas assim não foi porque os norte-americanos gostam de mostrar estes momentos como se fossem uma festa nacional e internacional. Ninguém consegue tratar deste fenómenos com discrição e sem grande alarido. Bastava dar a notícia e o mundo ficava mais sossegado. Contudo, só a palavra na primeira pessoa é que garantia a eficácia do tratamento. Felicito as entidades de saúde norte-americanas pelo feito que conseguiram e isso é o mais importante, mas para tudo ser perfeito só faltou a garrafa de champanhe, porque o resto estava lá tudo. 

quinta-feira, 21 de Agosto de 2014

Caça ao eleitor não socialista

Acho uma vergonha as candidaturas às primárias do Partido Socialista estarem a recolher "apoiantes" em bancas instaladas um pouco por todo o país. Na Nazaré, a candidatura de António José Seguro chegou ao ponto de colocar um ponto de assinaturas junto à praia. Ora, o PS não precisa de angariar "clientes" porque é um grande partido, pelo que muitas pessoas que não são socialistas vão ter interesse em participar neste eleitoral, até porque também é a primeira vez que se realizam eleições deste género no nosso país. 

Na minha opinião com esta propaganda o PS dá uma que é um pequeno partido e necessita de recolher assinaturas como estivesse no início da sua formação política. O pior de tudo é que muitos destes novos apoiantes nem sequer deverão saber onde votar no dia 28 de Setembro, ao invés, aqueles que se registaram pela internet estão mais informados e preparados. Estas eleições tornaram-se numa corrida a dois para uma qualquer associação académica em que os candidatos necessitam de garantir o maior número de votos antes do acto eleitoral. O raciocínio é lógico: se a banca do Seguro conseguiu 300 assinaturas e a de Costa 150, então os votantes no actual secretário-geral serão mais. Sim, porque na hora de dar o nome também deve vir garantido o voto. Pelo menos de forma apalavrada. 

As eleições primárias já foram marcadas por falta de ética e agora estão a resvalar para o amadorismo. Aposto que, tanto Seguro como Costa, ainda nos vão surpreender neste mês e meio para o acto eleitoral. 

O inimigo está dentro da Europa

A morte de James Foley chocou os EUA e o mundo devido à brutalidade com que foi efectuado o crime. O presidente Barack Obama reagiu bem à ameaça que representa o Estado Islâmico, grupo que nasceu da Al-Qaeda. Muito provavelmente os EUA vão ter de continuar no Iraque para dizimar o EI e colocar um ponto final na existência deste grupo. Na minha opinião o Ocidente tem a obrigação de resolver um problema que foi iniciado por si até porque há factores políticos que levaram a esta morte. A recente queda de Nouri al-Maliki e a nomeação sem recorrer a eleições de um novo primeiro-ministro agrava a ira dos jihadistas. 

A morte de James Foley foi efectuada por um cidadão britânico que está ao serviço do EI. Ora, como tem sido notícia nos últimos meses há vários jovens europeus que estão a ser recrutados por estes grupos, para combater os governos locais, mas também os inimigos externos. É certo que a luta do EI é instaurar um califado islâmico no Iraque. No entanto, não deixaram de provocar o Ocidente numa altura em que nada nem ninguém o fazia prever. A grande questão que se coloca é saber porque razões os jovens europeus integram voluntariamente estes grupos radicais. Certamente que há razões políticas e económicas, mas também sociais. 

Em meu entendimento o primeiro passo dos governos do Ocidente é combater as causas deste êxodo juvenil. Identificado o primeiro problema há que minimizar a perda de homens para este tipo de grupos. O segundo passo é tornar os países onde estão a ocorrer este tipo de recrutamento mais democráticos, livres e economicamente sustentáveis. Por fim, há que eliminar a ameaça terrorista nestes locais. Nestes três passos a tarefa mais fácil é a primeira. 

O combate contra estes grupos torna-se mais complicado porque quem os lidera são pessoas com formação intelectual e profissional. Já não estamos perante aquele terrorista tradicional que só manda colocar bombas sem qualquer nexo. A intenção agora é outra. No entanto, por agora o Ocidente pode combater estes grupos no terreno, mas a sua execução não será fácil. 

Estes são os obstáculos pelos quais Barack Obama, David Cameron e outros governos ocidentais vão ter por passar. Nunca será fácil chegar a decisão consensual porque ela vai levar à perda de vidas humanas. Contudo, é preciso acreditar que a luta contra o fanatismo radical pode ser vencido apesar do inimigo já estar muito perto de nossa casa. 

quarta-feira, 20 de Agosto de 2014

Uma figura incontornável

O Speaker da Câmara dos Comuns, John Bercow, tem sido uma figura incontornável da política britânica nos últimos meses, ganhando mais notoriedade do que o próprio primeiro-ministro, David Cameron e o líder da oposição, Ed Miliband. O presidente dos Comuns tem sido um acérrimo defensor do bom comportamento dos deputados durante os debates, em particular os que contam com a presença do primeiro-ministro. No entanto, as constantes chamadas de atenção fez com que os próprios membros do parlamento tomassem posições contra o Speaker. Quem acompanha as perguntas a David Cameron sabe que o Speaker exagera nas intervenções que tem tido ao longo da última legislatura, sendo que às vezes não é necessário interromper o debate.

A mais recente novela em torno de John Bercow é a sua escolha para escrivã do parlamento britânico. Bercow quer nomear uma assistente que trabalha no parlamento australiano. Esta hipótese tem levantado críticas no Reino Unido, mas também em terras australianas porque a dita assistente não tem conhecimentos profundos do que é o direito constitucional. Mesmo exercendo funções num parlamento. 

É evidente que Bercow pretende protagonismo e mediatização quando lança estes temas para o centro do debate da política britânica. Ao Speaker da Câmara dos Comuns só falta mesmo ser parcial politicamente, porque de resto tem as câmaras centradas em si. Assunção Esteves ao pé de Bercow é uma menina.

Coragem Francisco

Confesso que fiquei estupefacto com as notícias sobre a possibilidade de Francisco I poder renunciar ao cargo que ocupa por motivos de saúde. O Papa admite mesmo que só lhe restam mais dois ou três anos de vida. A atitude de Georgio Bergoglio em relação à sua continuidade não é de espantar, mas o facto de ter admitido em público que está gravemente doente é um acto de coragem. Acho que nenhuma figura pública, muito menos o Papa, tinham coragem para anunciar ao mundo aquilo que normalmente é escondido. 

É bom recordar que a saída de Bento XVI foi entendida como uma forma de se proteger face a uma eventual doença. Até hoje não se conhece nada em relação a Joseph Ratzinger. Na minha opinião Francisco I fez bem em divulgar a sua intenção de não continuar no cargo bem como o seu estado de saúde. Sendo o Papa um homem que gere paixões e com fieis em todo o mundo, a verdade sobre as razões da abdicação têm de ser conhecidas publicamente. A atitude revelada pelo actual Papa mostra que o seu curto mandato foi feito com verdade e não teve outras intenções para além daquelas que foram sendo conhecidas durante este ano e meio. Não sabemos quando Francisco I vai sair, mas certamente o fará pela porta grande. Agora resta ter coragem para combater a doença. 

terça-feira, 19 de Agosto de 2014

É aconselhável o seu uso, mas sem excessos


A utilização do Facebook é hoje em dia uma necessidade quase diária, para não dizer instantânea, tendo chegado ao ponto de ser mais importante do que o próprio telemóvel. Este aparelho era há uns anos material indispensável para qualquer pessoa. Não há dúvidas que a rede social conseguiu substituir o telemóvel, até porque pelo "face" podemos mandar mensagens grátis e a quem bem entendermos, mesmo que essa pessoa não estava na nossa lista de contactos. Por outro lado, a margem de alcance do facebook é muito maior do que o e-mail e o celular. 

Ninguém admite, mas já é impossível viver sem facebook. Ninguém consegue. E não vale a pena dizer que o seu uso não é importante porque estaria a dar uma grande mentira. Outra coisa é ser-se viciado na utilização da rede social. Entendo que falar de vício é exagerado, mesmo quando se coloca fotografias por tudo e por nada. A rede social não é uma droga ou um escape para não se socializar, mas se repararmos bem o objectivo das redes é criar um maior número de contactos e possibilidades de fazer relações. Não é por acaso que as empresas estão todas no facebook, twitter, linkedin e que, em grande maior parte das ocasiões, estas promovem os seus eventos, precisamente nas redes, realidade que no passado não era possível e os eventos só eram conhecidas por poucas pessoas. 

Entendo que o facebook veio retirar tempo à leitura, quer de livros quer de jornais, bem como provocar alguma insegurança cibernética, mas isso pode ser resolvido porque as redes sociais também têm regras. 

Acho que a utilização do facebook trouxe vantagens, sobretudo a quem deseja promover o seu trabalho, e na parte em que permite a localização de eventos, onde aí sim poderemos estar com pessoas reais. O grande factor positivo do aparecimento das redes sociais foi a possibilidade de gerir um negócio através da criação de uma página.

segunda-feira, 18 de Agosto de 2014

Jornada 1

Após uma época desastrosa o Sporting de Braga é o primeiro líder do campeonato. Uma vitória sobre o histórico Boavista na pedreira devolveu aos bracarenses a esperança de voltar aos bons velhos tempos. Nesta primeira jornada o Sporting vacilou em Coimbra e perdeu dois pontos para FC Porto e Benfica. Nada de preocupante porque estamos no primeiro jogo, mas esta vantagem pode ser aumentada daqui a duas semanas quando o clube de Alvalade visitar a Luz. 

Além dos históricos que prometem andar nos lugares cimeiros destaque para o V.Guimarães, Rio Ave, Moreirense e Belenenses que proporcionaram bom futebol. No entanto, apenas os dois primeiros deverão andar na primeira metade da tabela. Para já fica a certeza que os clubes nacionais estão a valorizar mais o produto nacional, como foi o caso de Ruben Neves e de Hernâni, jogador vimaranense. 

Positivo:
Duelo entre Braga e Boavista; actuações positivas de Hernâni e Ruben Neves

Negativo:
Mau futebol praticado por Marítimo e Penafiel; as poucas opções à disposição de Lito Vidigal

Jogador da jornada: Nicolas Gaitan
Treinador da Jornada: Sérgio Conceição

A união das Coreias pode ser uma realidade


Todos pensam que é extremamente complicado alcançar a paz duradoura e efectiva relativamente ao conflito israelo-palestiniano. As razões para esta dificuldade são históricas, raciais e políticas. Só quando estas três vertentes estiverem resolvidas é que poderemos cantar vitória. No entanto, ninguém vai poder dizer que foi o responsável por acabar um conflito que tem décadas. 

Um outro conflito que tem perdurado é o que opõe a Coreia do Norte e Coreia do Sul. Contudo, este é mais fácil de ser resolvido porque não tem a questão étnica metida ao barulho. Ora, a história faz questão de levar os problemas para detrás das costas e só mesmo a política é que está cá ser um entrave ao bom entendimento. É normal que seja difícil lidar com o regime de Pyongyang porque estamos perante uma ditadura. Ao contrário do que acontece no Médio-Oriente, as motivações dos norte-coreanos são diferentes dos israelitas e palestinianos. Posto isto, é possível alcançar a paz na península da Coreia entre o Norte e o Sul num breve prazo. No entanto, isso só será uma realidade caso os Estados Unidos da América não se metam ao barulho. Ou seja, Seul tem de actuar sozinha e não através de indicações por parte de Washington. Na minha opinião só assim se consegue ter paz naquela zona do globo. 

Na maior parte das vezes os conflitos armados podem ter solução se houver interesse das duas partes em cooperar conjuntamente. Penso que será essa a vontade dos responsáveis norte e sul coreanos, até porque quem fica a ganhar com isso é a própria região. Em termos económicos a Coreia seria uma zona rica e no qual os investidores teriam interesse deslocar as suas empresas. Também no aspecto político os dois países unidos (e não fundidos num só) poderiam ser uma voz mais activa na zona, deixando a China sozinha e sem parceiros estratégicos. 

Nos próximos tempos poderemos vir a assistir a uma mudança na península da Coreia. Em meu entendimento é preciso maior abertura por parte de Pyongyang e menos dependência de Seul em relação a Washington. Por esta razão, o Norte ainda não aceitou bem a amizade com o Sul. 

Mais uma nega

Como não poderia deixar de ser o PS recusou a proposta de Passos Coelho para fazer uma reforma da segurança social antes das eleições para entrar em vigor depois das legislativas. Não entendo como é que os socialistas querem ganhar as eleições sem se apresentarem ao eleitorado com uma atitude positiva. Na minha opinião António Costa é uma pessoa capaz de estar mais aberto a entendimentos com o executivo uma vez que tem mais bom senso. Por seu lado, António José Seguro não pensa noutra coisa que não as legislativas, sendo que pretende ganhá-las a todo o custo, ou seja, se for necessário estar contra tudo, então que seja essa a imagem para passar à opinião pública. Em meu entendimento penso que é por isto que Seguro não tem sido muito bem aceite nas bases do PS e nas elites. Por força da sua história, o Partido Socialista sempre foi uma força política dialogante e que colocou sempre os interesses do país em primeiro lugar. Com Seguro não tem sido assim. Espera-se melhorias a este nível a partir do próximo dia 28 de Setembro.
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