quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

União Europeia: Que caminho a seguir?

Os ataques em Paris deixaram a União Europeia num beco sem saída. Por um lado não se pode permitir a continuação de massacres, mas por outro a liberdade das pessoas tem de ser garantida. Não se pode entrar numa paranóia securitária que viole as garantias e liberdades das pessoas. No fundo, tem que se encontrar um meio termo. No entanto, isso é difícil de acontecer numa entidade que reage a quente sempre que há algum atentado na Europa. O problema é que os líderes europeus têm de começar a reflectir sobre as políticas implementadas. 

Não é por acaso que após os ataques houve um choro de críticas sobre as políticas europeias. 

As medidas mais faladas foram a revisão do Acordo de Schengen e o registo de identificação de passageiros, denominado Passenger Name Record. O acordo de Schengen é uma conquista importante da Europa, e por isso não deve ser abolido, sob pena de ficarmos fechados numa espécie de bolha em que não podemos circular livremente. O controlo e a fiscalização tem de ser feita de fora para dentro do espaço europeu. O Passenger Name Record também não é viável porque muitos passageiros dificilmente vão conseguir preencher todos os dados. A não ser que lhes faça chantagem. Não vejo como é possível milhares de passageiros perderem tempo no check-in ou mesmo no voo a escrever o formulário. Quem vai fiscalizar o preenchimento dos papeis? 

A maior forma de combater o terrorismo e a entrada de imigrantes ilegais é reforçar a cooperação entre as polícias. É sempre uma palavra bonita, mas só assim se consegue evitar alguns atentados. Aliás, como já deve ter acontecido. 

Na minha opinião a União Europeia caminha em águas turbulentas no que diz respeito a este problema. Não sabe o que fazer e depois acciona mecanismos ou inventa as medidas mais fáceis. Por aqui também se nota um problema de liderança. 

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Políticas de Natalidade: o bom exemplo finlandês








Artigo publicado no ptjornal/bisturi.com a 28 de Janeiro de 2015


As mulheres finlandesas são as mães mais felizes do mundo segundo um estudo recente que despertou a minha curiosidade numa altura em que Portugal enfrenta um grave problema demográfico a 20 anos.
O governo finlandês distribui há 75 anos um kit de maternidade a todas as grávidas do seu país.
Esta medida social remonta à década de 1930 e foi projetada para oferecer a todas as crianças finlandesas o mesmo começo de vida independentemente do contexto familiar de cada criança.
O kit contém desde bodies, a um saco-cama, produtos para o banho do bebé, fraldas, roupa de cama, um pequeno colchão, uma caixa de cartão entre outros.
A caixa de cartão é assim a primeira cama dos bebés finlandeses.
As mães podem escolher entre aceitar o kit, ou um valor pecuniário actualmente fixado em 140 euros.
No entando, 95% das mulheres opta pelo kit, cujo valor é bastante superior.
Esta medida já constitui um ritual de maternidade, unindo gerações de mulheres.
A caixa é assim um símbolo de igualdade e também de valorização da importância do nascimento de crianças naquele país.
As mulheres referem que são bem tratadas, ainda que alguns serviços públicos tenham sido cortados.
Nós por cá perante este paradigma demográfico pouco temos feito a nível de políticas de natalidade.
Não bastará o país recuperar da crise bem como ser gerador de emprego para impulsionar as famílias a terem filhos.
Várias são as pessoas que me contam da falta de acompanhamento durante a gravidez pelo sistema digo nos nossos centros de saúde.
Não falo de um acompanhamento clínico, mas de um acompanhamento “ Mãe-bebé”.
A mulher de hoje, não é a mulher do passado.
E perante este novo paradigma é necessário refletir que a informação hoje significa segurança e conforto para as pessoas.
As grávidas em muitos casos no nosso país ou são seguidas no privado, ou pagam “workshops” do seu próprio bolso, ou então é muito difícil encontrarem apoio na primeira gravidez para um mundo imenso de dúvidas.
Assim e numa altura que o enfermeiro assume tantas competências fora do seu âmbito profissional, seria talvez importante não deixarmos as competências bases em saúde.
Que neste caso, é o acompanhamento dos filhos de Portugal!




Saúde em ‘coma induzido’.

publicado na edição de hoje, 28 de janeiro, do Diário de Aveiro.

Não vale a pena tentarmos iludir a realidade e os factos. A saúde está mal em Portugal. E a amálgama de circunstâncias, de contextos, de episódios é tal que, neste momento, afigura-se complexo isolar acontecimentos e factos. Não me refiro à infelicidade do número de mortes que, por meras circunstâncias médico-biológicas, normalmente ocorrem nos picos do inverno. Isso é a lei da vida, a incapacidade do organismo humano vencer a natureza. Mas não é honesto, nem legítimo, que sob essa perspectiva se pretenda camuflar outros elementos, outros dados e outras realidades preocupantes e inaceitáveis em pleno século XXI. Um acto médico é, em si mesmo, um episódio de risco, com elevada dependência da condição humana (seja pelo paciente, seja pelo profissional). Há que saber, em todas as circunstâncias, perceber esta dimensão. Daí que, por exemplo, a morte numa urgência seja algo inerente ao risco profissional e ao acto médico, apesar da tragédia e da irreversibilidade. Mas nem todas as mortes numa urgência hospitalar estão circunscritas a esta realidade, não sendo, por isso, aceitável que, com a frieza dos números e das estatísticas, se escondam acontecimentos que estão para além do exercício da medicina. Não é, nem pode ser encarado no mesmo contexto um falecimento no decurso de um acto médico com alguém que morre por estar há quatro, seis ou nove horas à espera, numa maca ou numa cadeira de um corredor de um serviço de urgência, para ser tratado. Em pouco mais de um mês… nove casos no país.
Olhemos, como o fazemos em outras circunstâncias, para os chamados países economicamente desenvolvidos e sustentáveis, por exemplo, do norte da Europa. Na base de uma economia forte e produtiva, estruturada em regimes laborais, fiscais e financeiros, eficazes, estão dois pilares sociais bem solidificados, aos quais se apontam muito poucas falhas: educação e saúde.
Em Portugal, se a educação é aquilo que sabemos e se conhece, a saúde, essa, entrou em coma.
O risco da “dieta do Estado”, apesar do necessário emagrecimento da coisa pública, tem os seus custos quando as reformas que se implementam apenas procuram a mera redução de custos (muito para além da Troika) sem que daí resulte maior eficácia e eficiência na prestação dos serviços públicos essenciais. A forma como o país abandonou os cuidados primários, por exemplo, ao nível dos Centros de Saúde e dos respectivos serviços de urgência simples; a forma como se mapearam e concentraram os centros hospitalares, perdendo-se proximidade e respostas médicas mais descentralizadas para as populações; a forma como se desinvestiu em várias regiões do país, para se (re)investir num reduzido número de pontos geográficos (Lisboa, Porto, Coimbra); tem tido, claramente, impactos muito fortes na vida dos cidadãos e no estado da saúde. Mas não se culpe apenas e tão só o Estado (Governo) pela forma como tem descuidado e destruído o Serviço Nacional de Saúde. A força do interesse privado na política da saúde nacional tem sido foco de conflitualidade e de impacto no SNS (veja-se o caso recente das suspeitas no Centro Hospitalar do Baixo Vouga com as cirurgias ‘fantasma’), sem esquecermos que as próprias estruturas dos profissionais da saúde não podem, nem devem, sacudir responsabilidades e serem apenas parte das ‘vítimas’ do actual estado.
Quando a manipulação dos números dos factos servem para definir novas estratégias e políticas, podemos estar perante o mundo da retórica política, das ideologias, da engenharia estatística. Quando os números e os factos têm impacto na vida (literalmente) das pessoas, quando pessoas perdem a vida perante realidades que interessa manipular, isso já não é política, não é gestão, não é matemática… é Imoralidade.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Irá a montanha "parir um rato"?

Os recentes acontecimentos eleitorais gregos e os respectivos impactos têm surgido com uma extrema velocidade não muito vulgar quando se trata da "coisa política".
No domingo, aguardavam-se com enorme expectativa os resultados finais. A vitória do Syriza era algo perfeitamente expectável, mas havia significativas dúvidas para saber se haveria, ou não, maioria absoluta; quais os resultados das outras forças partidárias, nomeadamente da Nova Democracia e do PASOK. Não foi preciso esperar muito tempo para que tudo, ou quase tudo, se esclarecesse: o Syriza ficou a dois deputados da maioria; a Nova Democracia sofreu pesada derrota; o PASOK desapareceu do mapa político grego.
Sobre a inquestionável vitória do Syriza já aqui expressei uma breve reflexão: "Olhar a semana... tambores do Olimpo...". Ao mesmo tempo, grande parte da esquerda portuguesa (BE, Livre, as novas e futuras plataformas políticas...) soltavam "hossanas" e deitavam foguetes pela legítima e democrática decisão do povo grego. Até António Costa, de forma questionável e que deixa algumas dúvidas políticas, preferiu esquecer a pesadíssima derrota dos seus "camaradas socialistas" do PASOK para se 'colar' a esta onda grega de anti-austeridade.
Mas face as resultados surgia a dúvida na forma como Alexis Tsipras iria contornar a questão dos dois deputados que lhe faltava para a maioria. Tão depressa surgiu a interrogação, como tão depressa (muito poucas horas para um processo de negociação política) surgiu a resposta e a solução, mesmo que esta tenha sido um balde de água fria nos ânimos esquerdistas tão calorosos (principalmente para os que têm querido forçar, discurso após discurso, uma grande frente de esquerda). Quando os olhares se voltavam para os 15 deputados do Partido Comunista Grego / KKE ou (porque não?) para os 13 deputados do Partido Socialista Grego / PASOK, surge a surpresa: excluindo os extremistas-direita do To Potami ou os neonazi "Aurora Dourada", Alexis Tsipras estende a mão ao partido de direita conservadora "Gregos Independentes". Estando claramente obcecado pela questão da dívida e da Troika, o Syriza esqueceu facilmente os conceitos xenófobos, as políticas de emigração, a anti-multiculturalidade, a enorme diferença ideológica, para se centrar num objectivo comum: "kickoff Angela Merkel".
Menos de 24 horas foi o tempo suficiente para arrefecer os ânimos.
Mas as surpresas não se ficam por aqui, nestes momentos pós-eleitorais.
À bandeira política de campanha, à promessa e compromisso de mudança e de enfrentar, cara-a-cara, a Troika e os mercados, assumido perante o povo grego, Angela Merkel e o BCE já fizeram o primeiro aviso, secundados pelo FMI e Christine Lagarde.
E perante estes primeiros sinais de inflexibilidade externa, o novo governo grego, já empossado, já dá mostras de alguma moderação pós-eleitoral quando o novo ministro das Finanças veio afirmar que houve "bluff eleitoral" nas posições do Syriza.
Assim, não é de espantar algum descrédito quanto ao futuro da Grécia e ao futuro da coligação e do Governo gregos, dando razão a algum cepticismo por parte dos partidos da direita, do PCP (após conhecida a coligação com a "direita radical grega") e de muitos socialistas, ao contrário de António Costa, como, por exemplo, Vital Moreira ou João Paulo Pedrosa (ao jornal i).
Quando continuar a faltar o dinheiro nas famílias e nos multibancos gregos, será a prova de fogo para se saber se o discurso anti-Troika e anti-austeridade manterá o mesmo fulgor eleitoral.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

jornada 18

O Sporting foi o grande vencedor da jornada 18 porque ganhou três pontos ao Benfica, FC Porto, Sp.Braga e dois ao Vitória de Guimarães. Com os resultados da primeira jornada da segunda volta temos a certeza que o campeonato está relançado até porque daqui a duas jornadas há um Sporting-Benfica que pode beneficiar os dragões. No final do próximo mês dragões e leões encontram-se no Dragão, no que pode favorecer os encarnados. Quem não aproveitou esta onda de resultados negativos foram as equipas minhotas que perderam pontos frente a adversários que andam a lutar pela manutenção, embora o Boavista esteja a crescer de jogo para jogo. 

No entanto, também o Sporting poderia ter perdido pontos uma vez que a sua exibição frente à aflita Académica não foi de encher o olho e o resultado arrancado a ferros. Os leões sorriem agora, mas são claramente a equipa mais fraca dos três grandes. 


Uma nota de destaque para a forma do Estoril e Nacional. José Couceiro e Manuel Machado provam que a competência é algo que nunca se perde, independentemente das equipas que se orientam. Pena que, tanto os estorilistas e os madeirenses, tenham poucos recursos financeiros e uma massa adepta pequena que não dá para encher os respectivos estádios.

Positivo:
boa forma de Nacional e Estoril; dedicação do Boavista frente ao Sp.Braga; grande exibição de Salin frente ao FC Porto; reentrada do Sporting na luta pelo título

Negativo
Resultados negativos de Benfica e FC Porto; mais uma fraca exibição de Académica e Arouca que ainda só venceram um jogo; V.Guimarães em sub-rendimento.

Jogador da Jornada: João Mário (Sporting)
Treinador da Jornada: Leonel Pontes (Marítimo)
Melhores jogadores do campeonato: 6 jogadores.

Uma tragédia grega e europeia

A vitória do Syriza nas eleições gregas é uma tragédia para o país e a União Europeia. Será?

Não sei se é assim porque o partido liderado por Alexis Tsipras não vai chegar ao poder e mudar tudo. É impossível que assim seja porque existem instituições que funcionam. O estilo de liderança pode ser diferente daquele que estamos habituados no ocidente. O principal perigo que correm vários países que se estão a deixar influenciar pelos extremos tem a ver com o estilo de liderança e não só com as políticas. Ainda é cedo para fazer uma avaliação sobre o que quer o Syriza para o país e a Europa. 

É óbvio que estamos a assistir a mudanças profundas dentro da União Europeia que merecem reflexão por parte dos dirigentes. Embora as políticas não possam ser alteradas por causa dos governos o problema tem a ver com o debate público que vamos ter de assistir nos próximos tempos. No fundo, a preocupação que a vitória de Tsipras coloca tem a ver com chantagem que não está apenas do lado dos mais poderosos. Ou seja, não são eles os únicos que decidem, têm de englobar os outros. Aqueles que pensam e têm visões diferentes da forma como se alcança o resultado pretendido. Se isso não acontecer, caso a exclusão continue a ser o prato do dia-a-dia, haverá manifestações, revoltas, protestos e mais vitórias dos partidos de protestos. 

O risco que corremos é o da chantagem política. O Syriza ganhou o direito de fazer o que e como quiser. Outros irão tentar imitá-lo. No entanto, penso que o caso grego é um caso à parte do resto da Europa porque a população estava num beco sem saída. Isso não acontece nos restantes países europeus, pelo menos em matéria económica. Por exemplo, a Frente Nacional pode utilizar a imigração para conquistar votos nas próximas eleições francesas.

domingo, 25 de janeiro de 2015

Olhar a Semana... tambores do Olimpo

A marca desta semana, independentemente de outros contextos relevantes (a venda PT aos franceses da Altice ou as mortes ocorridas, em esperas, nas urgências dos hospitais portugueses) é, inevitavelmente, o resultado eleitoral grego, com a vitória da extrema-esquerda do Syriza.
Os gregos disseram Basta e bem alto... disseram-no à Troika, à União Europeia, ao BCE, a Angela Merkel.
Pelo menos enquanto não houver o choque entre a retórica política/ideologia dos vencedores e a realidade económico-financeira do país (desemprego, falta de dinheiro, etc) está instalada a rutura com o passado e com a influência da Troika na Grécia. O futuro muito próximo, não será mais que um ano, dirá quem será o primeiro a ceder: Troika ou Grécia. Sendo que os próximos tempos marcarão, ou não, a inflexibilidade da posições eleitorais assumidas pelo Syriza e que levou à conquista de uma vitória há muito anunciada.
Mas não vale a pena esconder que este resultado eleitoral na Grécia irá deixar marcas e terá "danos colaterais", pelo menos na União Europeia.
O efeito dominó das eleições gregas dificilmente se repetirá, em si mesmo, em outros países, por várias razões: sistemas eleitorais e democráticos distintos, a realidade do país que continua fortemente intervencionado, a excessiva dependência económico-financeira externa da Grécia, por exemplo.
No entanto, este "cartão vermelho" à Troika poderá criar uma movimentação mais global na União Europeia que pressione as suas Instituições para a forma como as medidas e as políticas de Ajudas e Ajustamentos têm sido implementadas nos países resgatados.
Há ainda os impactos que a leitura política destes resultados eleitorais devem provocar nos partidos políticos tradicionais, em muitos países europeus, já para não falar do crescimento do eurocepticismo. Há a tendência para a desfragmentação do peso eleitoral dos partidos do centro-esquerda (socialistas), sociais-democratas e liberais, para o surgimento (mesmo que pontual e espontâneo) dos extremos, sejam eles à direita ou à esquerda. E, neste caso, importa questionar se, aqueles que hoje aplaudem e se congratulam pela vitória do Syriza, como factor de ruptura e de mudança, manterão a mesma posição noutros contextos (lembremos a França) caso partidos de extrema-direita conquistem os mesmos palcos.
Por último, os partidos do poder ou partidos do chamado "arco do poder" de países em anos eleitorais deverão ter um cuidado redobrado com estes resultados gregos, já que é óbvio o aproveitamento político da vitória do Syriza para efeitos eleitorais pelos partidos da mesma "família ideológica".

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

A ameaça do Syriza

A ameaça das políticas do Syriza para a Grécia e o resto da Europa é real e não se trata de uma mera aparência. De facto, se o partido liderado por Alexis Tsipras vencer as eleições e com maioria absoluta a União Europeia tem de estar em alerta. Quanto à Grécia não se pode dizer que tudo vai ficar na mesma, mas o problema tem a ver com o que pode acontecer no resto da Europa. A Grécia pode ser o primeiro país a fugir aos partidos tradicionais e votar em forças de protesto. Não tenho dúvidas que o próximo executivo grego irá cumprir as obrigações que assinou, embora o faça de maneira diferente sem se colocar de joelhos perante os poderosos alemães e franceses. Uma vitória de Tsipras também pode ser benéfica para as ambições de David Cameron em ter um papel fundamental na condução dos destinos da União. 

Não tenho dúvidas que o discurso anti-austeridade, contra a Alemanha de Merkel vai ser dominante nos restantes 27 Estados-Membros. Um pouco daquilo que acontece também em algumas forças da oposição dos países que foram intervencionados como foi o caso de Portugal. O Partido Socialista critica muito a postura do executivo português na forma como resolveu a crise, mas esquece-se da forma como José Sócrates se rebaixou perante a actual chanceler. 

O resultado eleitoral na Grécia pode definir uma mudança de atitude perante a crise e abrir algumas mentes mais conservadoras. Se isso acontecer haverá maior risco no seio da comunidade europeia. 

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Não basta existir para ser-se alternativa!

Artigo publicado em ptjornal/bisturi.com a 21 de Janeiro




| Não basta existir para ser-se alternativa! |

Mas ao que parece o PS e António Costa não pensam assim, afirmando como estratégia política chavões populistas que replicam o descontentamento da população com os anos de austeridade que todos temos vivido.
Um descontentamento que curiosamente espelha com a austeridade imposta em Lisboa por António Costa.

Em cruzamento com o repúdio à austeridade, os chavões de António Costa em virtude dos mais desfavorecidos contrastam com a legislação que impede automóveis anteriores ao ano 2000 de circularem no centro da capital Lisboeta.
O que a mim me faz alguma confusão, porque estas medidas prejudicam sempre e na realidade aqueles que nada podem fazer para alterar a realidade.
Aqueles que seguramente não poderão trocar de automóvel; os verdadeiros desprotegidos que Costa diz representar e proteger.
Faz-me confusão que proíba automóveis cujas emissões poluentes em muitos casos são inferiores a de vários automóveis mais recentes, sendo que devemos recordar que todos os automóveis neste país são inspeccionados em virtude das normativas ambientais.

O perfil político de António Costa é claro: age como um político de café lançando farpas contra o governo e arbitrando a política nacional junto de Rui Rio.
Lança António Vitorino à Presidência da República, guardando no bolso António Guterres cujas sondagens apontam como sendo o melhor candidato socialista às eleições presidenciais não descartando esta arbitragem junto do amigo Rio.

Portugal está cansado. Está cansado destas politiquices.
Está cansado e desgastado da proliferação dos caciques, dos interesses apadrinhados e destes grupinhos instalados que fazem da política uma briga entre quadrilhas de trapaceiros.

Dissecando a verdade nas premissas de António Costa se por um lado é verdade que ninguém está contente com os três anos de austeridade que o país viveu, com a queda dos salários e das pensões e com o empobrecimento da qualidade de vida, não é menos verdade que fomos deixados numa situação de pré-colapso em 2011.
Também é verdade que em 2014 pelo segundo ano consecutivo Portugal registou um saldo orçamental primário em percentagem do PIB Positivo, algo que não sucedia desde 1997.
E assim, o combate ao défice demonstra surtir efeitos.
Também não é menos verdade que se analisarmos os últimos 22 meses, constatamos que a criação de emprego aumentou mais do que diminuiu.
Em Novembro de 2014 existiam mais 144,6 mil pessoas empregadas comparativamente a Janeiro de 2013.
E dentro de todas estas verdades para as quais o Bisturi fez o seu trabalho de casa, António Costa que é candidato a primeiro-ministro não o faz.

Afirmou em entrevista que as novas Regras Europeias permitem a todos os países ter flexibilidade no défice quando a situação económica é desfavorável e acusou Pedro Passos Coelho de não estar a prestar a devida atenção.
No entanto, as novas regras de Bruxelas neste aspecto são apenas aplicáveis aos países com défices abaixo dos 3%.

Neste vazio de propostas, será que bastará ao PS esperar sentado pelo descontentamento da população para ser eleito alternativa de governo?

Uma coisa é certa: a abstenção voltará a atingir valores históricos.
E desta vez a responsabilidade não é do governo.
É desta inexistente oposição!

Mafalda Gonçalves Moutinho | Janeiro 2015

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Um esforço notável

Concorde-se ou não com as políticas adoptadas por este governo a verdade é que conseguiu reduzir o desemprego de uma forma abrupta, eficaz e em pouco. A capacidade deste executivo em combater um dos maiores flagelos que o Partido Socialista nos deixou deve ser aplaudida. O problema é que se António Costa chegar ao poder ainda este ano temo que possamos voltar a um passado bem recente. Ou então o secretário-geral socialista vai ter de adoptar uma postura diferente daquela que tem tido enquanto é principal líder da oposição e candidato a primeiro-ministro. 

Os números do desemprego podem ajudar Passos Coelho e a sua equipa a obter um bom resultado em Outubro ainda que seja pouco provável a existência de uma maioria absoluta. Quem perde com isso são as pessoas e um dos vencedores pode ser Marinho e Pinto, mas esse já nos habituou a mudar de camisa política todos os dias. 

Para já a batalha contra o desemprego foi ganha. À semelhança do que aconteceu no Reino Unido, onde um governo conservador teve de corrigir os disparates dos trabalhistas, também aqui o PSD e CDS tiveram de pagar com a impopularidade a adopção de medidas difíceis. Espero que não pague com a perda de muitos votos. 

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Onde está a sociedade tolerante?

Os acontecimentos em Paris e as reacções posteriores mostram que não vivemos numa sociedade em que prevalece o respeito mútuo e a tolerância. As duas características são essenciais para que se viva em liberdade. Os grandes defensores da liberdade de expressão que se têm ouvidos nos últimos dias não pensam neste facto. Só se consegue ter liberdade quando existe respeito pelo outro e tolerância. 

Numa sociedade cada vez mais competitiva é difícil respeitar os valores. Além disso o que conta é vencer nem que seja a todo o custo. Em vários sectores nota-se muito a pouca apetência para o respeito e a concentração total no eu-ismo. Ou seja, as pessoas são mais egoístas porque vivemos num mundo chamado "cão", onde se pode fazer tudo para alcançar o culto próprio. 

Infelizmente não voltaremos a ter uma sociedade tolerante como foi desenhado pelos principais filósofos contemporâneos. É esta falta de respeito que está na base do aumento dos conflitos, sobretudo a nível religioso e social. Como tem acontecido na Europa e nos Estados Unidos já não há motivo para compaixão porque uns querem direitos e os outros exercer autoridade. Torna-se complicado encontrar no meio destes dois aspectos um pacificador. 

O que se pretende não é viver em paz e harmonia, mas evitar a origem de fenómenos que violem as referidas liberdades uma vez que estas só começam a estar em causa quando alguém se coloca numa posição de autoridade perante o outro assumidamente mais fraco. 

domingo, 18 de janeiro de 2015

Jornada 17 - fim da primeira volta

A primeira volta do campeonato está concluída. Em 17 jornadas Benfica, FC Porto, Sporting, V.Guimarães e Sp.Braga são as equipas que estão em posição de ir à Europa na próxima temporada. A distância do 5º classificado para o 6º são de cinco pontos, pelo que existe aqui uma diferença de qualidade entre os primeiros cinco e os restantes. É curioso verificar que a grande luta está a fazer-se na segunda metade do campeonato, o que faz-nos pensar sobre a qualidade das equipas nesta prova com 18 equipas. Os primeiros classificados têm tido poucas dificuldades em ultrapassar os seus adversários. Ao longo da primeira volta notou-se um abaixamento de forma do Belenenses, Paços Ferreira e Marítimo. Ao contrário, Estoril e Rio Ave que começaram muito mal por causa da presença na fase de grupos da Liga Europa, neste momento estão mais seguros e em subida de forma. Outro destaque positivo é a campanha do Moreirense que subiu este ano à primeira divisão. 

Em sentido oposto há uma equipa que merece destaque. É normal haver formações mais fortes do que outras, mas a verdade é que não é normal o Gil Vicente só ter conseguido obter uma vitória em 17 jogos. Os gilistas só não estão condenados porque as restantes que lutam pela manutenção também estão muito fracas, tendo perdido muitos jogos. 

Positivo
Grande jogo entre Sporting-Rio Ave, goleada do Benfica na Madeira, Kleber renascido, vitória do Sp.Braga após duas derrotas consecutivas, meio-campo do Moreirense

Negativo
Exibição da Académica em Guimarães e do Marítimo frente ao Benfica, Arouca continua a não conseguir vencer fora de casa.

Jogador da Jornada: Salvio (Benfica)
Treinador da Jornada: José Couceiro (Estoril)
Melhores jogadores do campeonato:
Miguel Rosa (Belenenses), Hassan (Rio Ave), André André (V.Guimarães), Anderson Talisca (Benfica), Salvio (Benfica), Vitor Gomes (Moreirense), Adriano (Gil Vicente)

Limites há… mas escusa de ser ao murro.

publicado na edição de hoje, 18 de janeiro, do Diário de Aveiro

Não é um “tropeção”, mesmo que com dificuldade em digerir e em concordar, que me farão recuar na opinião que até agora mantenho do Papa Francisco. A forma como tem lidado com a Cúria e o interior do Vaticano, a forma como tem colocado à discussão alguns tabus e temas polémicos para a Igreja conservadora, a forma como tem lidado com a realidade política e social actual (lembremos as posições sobre a economia, sobre a pobreza, sobre o emprego, ou ainda o seu recente discurso no Parlamento Europeu) à luz de uma clara Doutrina Social da Igreja; serão mais que suficientes para me fazerem ultrapassar as suas mais recentes posições e declarações sobre os últimos acontecimentos em França. Mas também não deixa de ser verdade que as afirmações do Papa Francisco não são tão inocentes como muitos querem fazer crer. Nem mesmo a afirmação que Francisco fez sobre o atentado ao Charlie Hebdo (“matar em nome de Deus é uma aberração"), reforçada pelo sublinhado “"não se pode ofender, fazer guerra e matar em nome da própria religião, ou seja, em nome de Deus”, disfarça o mal-estar que a sequência discursiva tida provocou. A mim, por exemplo, deixou alguma perplexidade. E são duas as expressões do Papa Francisco, e que espero que sejam mais “expressões” que “convicções”, com as quais não posso concordar, nem deixar de criticar. A primeira tem a ver com a afirmação de que a “liberdade de expressão tem limites”. Isso é mais que óbvio e há nas sociedades livres, democráticas, e nos Estados de Direito, mecanismos regulamentares e jurídicos que determinam as respectivas consequências. Mas o que não é aceitável é que seja o Papa (ou o islamismo) a definir esse limite ao determinar que “não podemos provocar, não podemos insultar a fé dos outros, não podemos ridicularizá-la”. Podemos, Francisco. É um direito que assiste a quem não acredita; a quem também se possa sentir ofendido nas suas convicções pelas posições da Igreja (ou de outra religião); a quem acha que, como ateu (por exemplo), existe uma excessiva ligação entre a Religião e o Estado; e, por último (que não em último) pela liberdade de convicções e de crenças (mesmo na ausência destas). A Igreja deve ser espaço para acolher (quem assim o quiser, livremente), não deve nunca impor-se, nem pode impor as suas regras. E tal como se pode criticar a política, nada deve impedir a crítica à religião. Podemos não concordar, recorrer a mecanismos de regulação e judiciais, mas não podemos silenciar e censurar.
A segunda tem a ver com o facto do Papa Francisco ter usado a expressão “se um amigo meu chamar nomes à minha mãe, leva um murro” para justificar a resposta à “ofensa”. Não vale a pena usarmos falsas demagogias ou retóricas, nem colhe a justificação de um momento “mais descontraído” do Papa com os jornalistas. Porque as palavras têm uma força e um impacto próprios, alheadas às responsabilidades de quem as profere. Um murro não é o mesmo que um acto mortal? Não, não é. Mas a violência não pode ser a resposta, nem a solução, tal como não o é a morte. Se alguém chamasse nomes à minha mãe eu “dava a outra face”? Não, não dava (só por estupidez, claro). Mas esse tipo de comportamentos são, quer do ponto de vista social, quer jurídico, reprováveis, condenáveis e criticáveis. Para mais vindo de alguém com a responsabilidade de difundir uma religião de paz e amor. O que seria das nossas sociedades e comunidades se cada um, em função das suas convicções, dos seus estados de alma, dos seus sentimentos de ofensa, desatasse a fazer justiça pelas próprias mãos, a impor as suas “regras”, certezas e crenças? Com estas afirmações o Papa Francisco justificou, pelo menos (já que condenou o acto em si), a acção/reacção dos extremistas e dos terroristas contra o jornal Charlie Hebdo, justificando todo e qualquer acção mortal ou acto de violência (lembremos o caso de Badawi condenado a 1000 chicotadas por criticar o islão) só porque alguém ofendeu alguém, ofendeu a sua religião, esquecendo que matar não é solução, silenciar a vida não é um direito de ninguém nem de nenhuma crença. Alguém devia ter lembrado Francisco que o que sempre esteve em causa, nos acontecimentos em França, para além da liberdade de imprensa, foi a intolerância, a não aceitação da diferença, da liberdade crítica, limitando estes direitos através da morte ou da violência. O “puseram-se a jeito” não determina a justificação e o fim. Dois milhões de pessoas perceberam isso no fim-de-semana passado, e muitas delas, como eu, nem gostam do jornal.
Nem tudo deve ser corrido ao murro e ao pontapé… nem à “bala”.

sábado, 17 de janeiro de 2015

Sou Charlie... Mas também pelas crianças da Nigéria

Sou 'Charlie'...
E também SOU pelas crianças da Nigéria, vítimas às mãos do Boko Haram.
a favor das criancas massacradas na nigeria_cortad
E sublinho, em tudo, este excelente texto do Henrique Monteiro, no Expresso on-line de quarta-feira, 14 janeiro, "As meninas de Boko Haram", do qual destaco: «Nós somos todos Charlie – e bem – mas temos de ser todos aquelas 200 raparigas raptadas e usadas como bombas por uma organização que literalmente quer dizer “a educação não-islâmica é um pecado”, ou no seu nome em árabe, “Jama'atu Ahlis Sunna Lidda'awati wal-Jihad”, pessoas dedicadas aos ensinamentos do Profeta para propagação e jihad.» Ou ainda «Perante o horror não temos resposta. Porque nos recusamos ao “olho por olho, dente por dente” e porque na nossa civilização, que inclui cristãos, muçulmanos, judeus, agnósticos, ateus, budistas, hindus e quem mais quiser entrar – como na manifestação de Paris – não há penas nem leis que cheguem para tamanho mal.»

Figuras da Semana

As nossas escolhas semana são as seguintes

Por Cima 

Papa Francisco - Escrevi que o Papa Francisco I foi das poucas personalidades mundiais que teve uma declaração acertada sobre os acontecimentos da semana passada em Paris. A mensagem do chefe de da Igreja Católica não é facciosa e tolerante. Estes dois atributos necessitam de fazer parte do discurso da maior parte dos líderes europeus em tempo de conflito. 

No Meio 

António Costa - É na qualidade de presidente da Câmara Municipal de Lisboa que critico o actual secretário-geral do Partido Socialista. A razão da censura prende-se com o facto de não permitir a utilização de carros com matrícula anterior a 2000 de circularem nas avenidas principais de Lisboa. Ora, a medida até é interessante, mas como vai fiscalizar isto? Colocar as autoridades a fiscalizar todas as matrículas? Na minha opinião estamos perante um ideia populista e pouco sensata.


Em baixo

Charlie Hebdo -  Os cartoonistas franceses estão de volta após o massacre da semana passada. Na quarta-feira a nova edição da revista continuava com a propaganda anti-islão. De facto, não se pode chamar jornalismo a uma vergonha destas que teima em continuar. Não se trata de ser polémico ou coisa parecida. O Charlie Hebdo só existe para provocar. 

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Francisco I, o sábio defensor da liberdade

Os comentários aos ataques de Paris variam entre a condenação à carnificina e a repulsa pelos cartoons publicados pelo Charlie Hebdo. É óbvio que há mais apoiantes do primeiro aspecto do que em relação ao segundo e são poucos aqueles que falam em liberdade de expressão limitada. 

Ora, o termos liberdade sempre foi objecto de estudo e análise pelos grandes filósofos contemporâneos. Todos eles, e nós também, ligamos o termo ao facto de podermos dizer tudo e mais alguma coisa. Como variantes da liberdade há a liberdade de consciência, expressão, imprensa, entre outros. Não é possível chegar a uma conclusão racional e lógica porque os termos são subjectivos e podem-se aplicar a uma série de situações. 

Nos últimos dias a palavra "liberdade de expressão" foi a mais falada e o motivo pelo qual juntou milhões de pessoas em Paris, entre os quais se encontravam os líderes mundiais. Como seria de esperar o ocidente criticou os ataques e o oriente salientou as provocações dos cartoonistas franceses. No meio da chuva de comentários poucos foram aqueles que tiveram uma análise lúcida, sóbria e acertada. A razão desta situação prende-se com o facto de estarmos a viver um conflito entre ocidente e oriente e condicionamento de liberdades contra acções militares realizadas em países árabes. 

O Papa Francisco I fez bem ao ter dito que a liberdade de expressão não permite insultar a fé dos outros. O Papa reproduziu o pensamento do filósofo britânico, Herbert Spencer. Spencer diz que "A liberdade de um termina onde começa a do outro". 

No meio de tantas análises a do Papa é a melhor de todas e culpa os que defendem a liberdade de expressão sem qualquer limites.Isso não pode ser aceitável numa sociedade moderno, multicultural e onde as oportunidades devem estar disponíveis para todos. Quem não acredita nisto também rejeita a importância da lei como regulador da vida em sociedade. Além do mais, Francisco I aposta num diálogo e na paz para alcançar uma solução visto que um dos maiores problemas da nossa vivência é a convivência saudável entre as várias comunidades no mesmo espaço. E não é só a questão religiosa que está em causa porque existem diversas variantes que condicionam as sociedades dos nossos tempos. 

As palavras do chefe de Igreja Católica devem ser objecto de reflexão por parte de muitos líderes mundiais.  

Ideologia presente

Em Portugal quando estamos em período eleitoral as pessoas queixam-se da falta de proposta políticas ou debate sobre temas essenciais. Que prevalece o soundbyte em vez daquilo que é importante. É verdade que a comunicação social também alimenta este aspecto, mas a culpa é de quem tem a responsabilidade de dar a conhecer o seu programa político. 

O início do ano marca o arranque das legislativas britânicas. Na democracia mais perfeita do mundo os partidos fazem questão de vincar as suas diferenças ideológicas, mas em termos de programa. Como é tradicional os partidos de poder são o trabalhista e o conservador. O primeiro é de esquerda, enquanto o segundo passa para a direita. Nos temas que vão ser discutidos nos próximos meses, como é o caso da economia, imigração, saúde e Europa, é notória esta divisão. De facto, o debate público não é rico senão tiver estes alimentos. No que diz respeito ao serviço nacional de saúde nota-se uma diferença entre o partido que está no poder e a oposição. Em matéria de segurança veremos qual será o papel dos Liberais-Democratas que não aceitam as medidas anunciadas por David Cameron. Por seu lado, a imigração é o grande trunfo do UKIP e a Europa pode ser um motivo de união entre conservadores e o partido liderado por Nigel Farage. 

Os temas referidos é um bom sinal para acompanhar as eleições britânicas porque a própria união entre os países europeus está em causa se for realizado um referendo sobre a manutenção do Reino Unido nas instituições europeias. 

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Ser mulher num mundo de homens !

Artigo publicado, 14 de janeiro de 2015 no ptjornal.com/bisturi
Ser mulher num mundo de homens!  
“ O homem é definido como um ser humano; a mulher é definida como fêmea. Quando ela se comporta como um ser humano é acusada de imitar o macho.” Simone de Beauvoir Caro leitor(a), Hoje escrevo-lhe sobre mim, sobre a sua mãe, irmã, sobre si ou sobre a sua esposa. Hoje escrevo sobre mulheres! Sempre pensei que o caminho feminista não encaixava na minha forma de viver a vida por considerar-me igual ao meu pai, ao meu irmão e a todos os seres humanos. No entanto, sou desafiada pela vida e pelo mundo a olhar para a realidade na qual me insiro: sou uma mulher num mundo de homens. Sem radicalismos, não fiquei surpreendida com a notícia de esta semana, na qual um jornal judeu apagou todas as mulheres da marcha dos líderes em Paris. Sei que no nosso mundo, do Islão aos judeus Haredi, a mulher é uma peça de mobiliário na sociedade, na qual em público está sempre tapada e calada. É chocante, doentio e revoltante pensar nesse mundo tão diferente do meu Ocidental mas tão meu como ser humano. Mas mais revoltante ainda é percepcionar que no meu mundo Ocidental as mulheres continuam a ser isso mesmo: mulheres num mundo de homens. Neste mundo não existem roupas negras a tapar-nos mas existem quotas para “existirmos” em sociedade. Quotas que se por um lado nos insultam por outro são estritamente necessárias, sem as mesmas as fotografias do presente seriam como as do jornal judeu: sem mulheres. Várias são as vezes que comento este tema. E do lado masculino oiço sempre a mesma pergunta: E o mérito Mafalda? Devem as mulheres ocupar esses lugares directivos só porque são mulheres? Será justo na união europeia existirem critérios de desempate no acesso a fundos europeus pela presença de mulheres em cargos directivos? Claro que devem. Quando o caminho do mérito não caminha em conjunto com a igualdade de género a solução é encontrar metas que o permitam. Entendo que para quem é inato ocupar seja o que for, seja difícil compreender que para a mulher o dito “cargo” é ocupado com muito trabalho, esforço e com uma premissa constante de desafio: provar que não só é capaz de fazer igual, como ainda consegue fazer um trabalho melhor. E é desta forma que a mulher acede minoritariamente a estes cargos. Porque demonstra ser inequivocamente melhor. Doutra forma, os cargos e os lugares ficam para os inatos, homens!
E foi dentro desta reflexão social de desigualdade de género que encontrei o movimento Heforshe, lançado pela actriz Emma Watson. É um movimento solidário pela igualdade de género no qual me revejo não só como mulher mas como ser humano. Em Portugal, e para sorte de nós mulheres portuguesas surgiu a Maria Capaz. A Maria Capaz, em apenas um mês reuniu mais de 50 000 seguidores nas redes sociais, o que demonstra a necessidade de espaços de afirmação da mulher e da condição feminina na sociedade civil. Podemos encontrar entrevistas, crónicas, ensaios fotográficos e histórias reais da vida de mulheres anónimas e conhecidas da opinião pública. O mote lançado por Rita Ferro Rodrigues e Iva Domingues é simples. Todos temos Maria no nome. E todas temos Capaz na certidão de nascimento. No fundo, todas somos mulheres que pensamos e sentimos o mundo como um mundo de mulheres num mundo de Homens e de Mulheres!!!!

Ontem fomos ‘Charlie’. E hoje?

publicado na edição de hoje, 14 de janeiro, do Diário de Aveiro.

A resposta ao atentado da semana passada (precisamente há oito dias), em Paris, na redacção do jornal Charlie Hedbo, e que vitimou 12 pessoas, das quais oito eram jornalistas, foi, em França, na Europa e em muitos locais do mundo, massiva e pronta. A resposta através da mensagem e das afirmações públicas “Je suis Charlie” correu televisões, jornais, redes sociais, câmaras fotográficas por todo o mundo. A mediatização dos acontecimentos, a solidariedade e a condenação dos actos tomou, rapidamente, proporções, à partida, não imagináveis. O que foi tido, inicialmente, como um ataque à liberdade de informação rapidamente tomou contornos de um atentado à liberdade de expressão e ao próprio sistema democrático, para mais num país onde em 1789 surgiu a revolução pela Liberdade, Igualdade e Fraternidade. No entanto (viva a democracia e a liberdade de expressão) várias foram as vozes que se manifestaram indiferentes e críticas do movimento que se gerou. Alguns questionaram o porquê de só perante o atentado se erguerem vozes a favor da liberdade de informação e de expressão. Sendo um facto que existe, no dia-a-dia da comunicação social, constantes e relevantes atropelos à liberdade de informação, há, no entanto, uma desproporcionalidade dos factos e de contexto perante o assassínio bárbaro dos cartoonistas e jornalistas (sem esquecer, obviamente, as outras quatro vítimas). Nada justifica o silenciamento através da morte. Há em França, tal como cá e noutros pontos do globo, mecanismos próprios (judiciais/jurídicos, reguladores, o próprio direito à ‘contra-crítica’ pública) que permitem combater eventuais excessos à liberdade de expressão e de informação. Seguramente, a morte não é um deles. A crítica, a diferença de convicções e opiniões (e de crenças), a pluralidade, são pilares fundamentais do sistema democrático e de um Estado de Direito. Criticar é um dos fundamentos da liberdade; existem mecanismos próprios quem permitem a defesa de quem se sente ofendido. A morte não é um deles.
Uma parte dos que se manifestaram a favor da liberdade nunca ouviu falar do jornal Charlie Hedbo (nem da sua história); outros, como eu, nem eram adeptos das críticas e caricaturas que proliferaram, durante anos, naquelas páginas. Mas a defesa da liberdade exige transpor barreiras e divergências… exige união e convicção (naturalmente, mesmo com medos e receios). O radicalismo, o fundamentalismo, o extremismo, que produzem actos como estes não podem ficar impunes, nem vencer.
Mas os acontecimentos da semana passada levantam sérios desafios às comunidades, aos países, às instituições internacionais (como a UE), até porque, a par da ‘arma do fanatismo religioso’ há a inquestionável vertente política dos acontecimentos.
A defesa da liberdade e da tolerância, do multiculturalismo, não pode (nem deve) ser pontual e circunstancial. A liberdade e a tolerância, tantas vezes gritadas nestes últimos dias ou lidas na expressão “Je suis Charlie”), não podem cair no outro lado dos extremismos e radicalismos: a xenofobia, o racismo, a islamofobia, a incapacidade de acolher a diferença. Sendo certo que também não basta ao islamismo, ao dito moderado (caso seja correcto falarmos de vários ‘islamismos’), condenar, também e publicamente, os actos e os atentados, porque o facto é que as forças extremistas radicam no seu seio. A posição de ‘Pôncio Pilatos’ em nada favorece o combate a este tipo de terrorismo e em nada favorece a defesa da existência legítima do islamismo. Além disso, para muitos daqueles que se afirmaram como “Charlie” importa desafiar a sê-lo sempre, em qualquer circunstância, seja à sua “porta” ou mais “longe”, seja em que contexto for. Por exemplo, seria interessante constatar se muitos católicos “Je suis Charlie” também o são face às inúmeras caricaturas com que o jornal parisiense “brindou” o Vaticano e a Igreja Católica.
Por outro lado, o poder e as suas instituições (os Estados) devem evitar cair na tentação duma reacção desmedida que possa conduzir à limitação de liberdades, direitos e garantias, sob a capa da (necessária e urgente) Segurança.
Por fim, nós que fomos “Charlie” neste dias, temos o desafio de o ser ontem, hoje e sempre; quando a liberdade e a democracia estão em risco ou são silenciadas; quando se abate friamente alguém que pensa diferente e, por direito, nos critica; e também, quando se raptam e escravizam jovens e adolescentes em África; quando se mata e se desrespeita a dignidade através do abuso sexual na India; quando morrem milhares de pessoas num atentado bombista no Paquistão; quando jornalistas são executados e mortos no exercício das suas funções (só em 2014 foram mais de 40); quando são mortos, às mãos dos fundamentalistas, milhares de pessoas no Iraque; etc., etc.
Sim… “Je suis Charlie”. Ontem e hoje. Pela Liberdade e pelo direito à Vida.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Entrevista a António Félix da Costa

1- Ainda tens esperanças de chegar à Formula 1?

Sendo piloto de testes e reserva da Infiniti red Bull Racing continuo preparado para essa chamada, mas não é a minha prioridade nem vivo obcecado com a Fórmula 1, mas estou pronto se ela vier.

2- Sentes que a tua evolução já chegou ao nível que te permite estar entre os melhores?

Sinto que estou numa altura da minha carreira muito boa, em que junto a rapidez à maturidade, mas trabalho diariamente para melhorar e evoluir em todas as áreas possíveis,. De qualquer forma sim, acredito que estou preparado para defrontar qualquer adversário e ganha ou perca, acredito que sou competitivo em qualquer categoria.

3- Como está a decorrer a participação na Fórmula E?

Bastante bem, a Fórmula E é um novo desafio para mim, engenheiros, mecânicos etc. Principalmente para as equipas como a Amlin Aguri, que foram iniciadas há menos de um ano é um grande desafio e sabíamos que partíamos em desvantagem mas temos trabalhado muito e neste ultimo fim-de-semana consegui a minha primeira vitória na Argentina, portanto o saldo é positivíssimo até agora.

4- Achas que ainda há espaço nos media e público para o aparecimento de novas categorias no desporto automóvel?

Para categorias como a Fórmula E, sem dúvida que sim. A Fórmula E represente o futuro, aliando a tecnologia à questão ambiental e isso obrigatoriamente desperta interesse nos media e nas pessoas em geral. Tenho sentido isso na Fórmula E.

5- Quais as características necessárias para ser um piloto de top?

Persistência, dedicação e nunca desistir. Obviamente o talento e nascer com a paião dentro de nós, mas a persistência e nunca desistir quando as coisas não correm bem são o que diferencia os bons dos muito bons.

6- Na tua opinião o desporto automóvel é pouco acarinhado em Portugal?

Sim, no geral as pessoas gostam bastante de automobilismo, acontece que os media são controlados por um grupo de pessoas que não permite que nenhum desporto “chateie” o futebol, mas no geral sinto que somos acarinhados pelo público.

7- Quem é o teu ídolo (ou foi o teu ídolo)? Porquê?

Não tenho nenhum ídolo, tenho pilotos que considero muito completo e tento retirar deles o melhor deles, aprendendo e evoluindo com eles.

8- Achas que Ayrton Senna e Michael Schumacher são as duas grandes referências da Fórmula 1?

Considero sim, mas acho que o Vettel ainda se vai juntar a eles no futuro…
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