terça-feira, 22 de Abril de 2014

E se o PS português fizer o mesmo?

O Partido Socialista francês está em peso contra as medidas de austeridade anunciadas pelo novo primeiro-ministro Manuel Valls. O novo líder indicado por François Hollande não é do agrado do restante partido e isso notou-se na apresentação do seu programa. Se Hollande não convence os franceses, Manuel Valls não será bem recebido pela opinião pública, o que dá à direita um bom motivo para ficar contente, em particular Sarkozy que tem intenções de voltar ao Eliseu. 

O problema do PS francês é Valls mas também Hollande. Se o novo chefe do governo cair antes da eleições presidenciais é sinal que Hollande não vai lá, mas pode muito bem acontecer que Valls se candidate ao Eliseu e faça uma tramóia ao actual presidente. Caso o PS gaulês não se der bem com Manuel Valls, o problema é de Hollande e não do próprio que caiu ali por acaso. Ou seja, os socialistas franceses pretendem atingir politicamente o chefe de Estado, mas primeiro fazem cair o líder do governo para chegar a Hollande, que nunca resistirá a uma segunda mudança de executivo. É verdade que Hollande tinha de fazer alguma coisa depois da derrotas nas eleições autárquicas, contudo mudar o primeiro-ministro foi arriscado demais. Mas a pior opção foi escolher alguém que politicamente pode destruir o próprio presidente, não só pela contestação interna, mas porque pode ser um adversário político difícil de combater em futuros actos eleitorais. 


 A pergunta é se o partido socialista português vai começar a fazer a cama ao seu líder, António José Seguro, da mesma forma que o PS francês já está a fazer ao novo primeiro-ministro. E se o PS nacional decidir não esperar que Seguro tenha condições para ser o novo primeiro-ministro português? Isso pode acontecer a qualquer momento porque o ciclo económico vai fazer uma inversão e tudo aquilo que o líder socialista disse sobre o programa de assistência e financeiro será usado contra o próprio.

Não tenho dúvidas que haverá movimentações no Largo do Rato a partir de Junho. Penso que os socialistas (afastados do poder há muito) não vão esperar ano e meio para conseguirem um líder que lhes garanta a maioria absoluta, porque só isso é que devolver o poder absoluto. Tenho a certeza que Seguro já se imagina a governar Portugal com todo o poder na sua mão. 

O que está a acontecer em França pode muito bem suceder em Portugal, porque o objectivo comum é derrubar o líder. Seja ele Presidente de França ou o candidato a primeiro-ministro de Portugal. As europeias que se avizinham vão servir de segundo teste. 

segunda-feira, 21 de Abril de 2014

Como se sente o país após o título do Benfica


Marquês de Pombal vestiu-se de vermelho. Com um ano de atraso



Aposto que os benfiquistas se sentem felizes, pois festejaram o título que deveria ter sido uma realidade na temporada passada. Como tem sido hábito, o marquês de Pombal e o resto do país encheram-se de pessoas para celebrar o regresso do clube encarnado às vitórias. Três títulos de campeão nacional em dez 14 anos é muito pouco para um gigante, ainda para mais quando não houve nenhum outro título. No entanto, o tempo de espera dos benfiquistas tem sido cada vez menor. De 1994 para 2005 foram 11 anos, de 2005 para 2010 só dez e quatro anos depois o marquês voltou a encher-se de encarnado, embora a praça mais emblemática de Lisboa já esteja reservada há um ano. 

Por estes dados, os títulos do Benfica já começam a ser uma normalidade, ainda que o gigante do Norte tenha conquistado com mérito um tri campeonato. É esse o desafio do clube da Luz para poder anunciar o "Novo Ciclo". Não sei há quanto tempo o Benfica conquista o bi ou o tri, mas neste momento é o clube com mais hipóteses de vencer a edição 2014-2015 do nacional da 1ªdivisão. Com estes títulos todos o país já não vai precisar das vitórias do Benfica para andar mais disposto, no entanto, este ano a praça promete encher mais uma vez para celebrar a conquista da Liga Europa, Taça de Portugal e Taça da Liga. E no próximo ano, já há uma supertaça para conquistar.

O que se viu ontem é a realidade do país: Portugal respira Benfica! É certo que no Norte o FC Porto tem ganho poder e adeptos. E o Sporting também é um clube grande embora não toque no caneco há 12 anos....(falta pouco para os 18....). De facto, como se viu ontem o clube da Luz proporciona alegrias aos seus adeptos bem como uma nova onda de optimismo no país. No entanto, dada a situação económica do país só haverá verdadeira festa quando a troika sair do pais. Embora a multidão tenha aparecido para a festa, notou-se uma festa contida. 

O Benfica é gigante

E assim se conquista o 33º título da história...

domingo, 20 de Abril de 2014

Ano glorioso

O Benfica acaba de conseguir o 33º título nacional de futebol. Um ano depois de ter perdido o campeonato nos últimos minutos para o FC Porto, o clube da Luz volta a festejar quatro anos uma vitória na Liga. Em 2010 Jesus quebrou um jejum de 5 anos, mas o mesmo treinador não demorou muito tempo a tocar no caneco. Os festejos da equipa deverão ser contidos porque na quinta-feira há esse jogo com a Juventus, mas os adeptos vão voltar ao Marquês de Pombal, que já esta reservado há uma semana. 

A vitória do Benfica foi uma das mais bem conseguidas pelo facto de ter acontecido na jornada 28. Recorde-se que em 2005 e 2010 o clube encarnado só garantiu o ceptro na última jornada, tendo sempre o FC Porto a poder ser um vencedor surpresa. A justiça da vitória na competição não sofre contestação porque com talentos como Gaitan, Markovic, Rodrigo, Lima, Cardozo, Enzo Perez, Luisão e Garay não há adversário que resista. 

O título agora alcançado é o resultado de um trabalho bem realizado durante 5 anos e que teve quase sempre os mesmos protagonistas. Tendo em conta que o melhor futebol nos últimos 3 anos foi sempre o do Benfica a conquista do 33 só peca por tardia pois deveria ter chegado há dois anos, e por isso poderiam muito bem ser 35. Se tudo continuar como está, esses virão nos próximos dois....

sábado, 19 de Abril de 2014

Figuras da Semana VI

Embora estejamos na Páscoa, esta semana vamos continuar a atribuir os melhores e os piores.


Por Cima

Jorge Jesus -  Grande vitória sobre o FC Porto nas meias-finais da Taça de Portugal e apuramento para a segunda final consecutiva e amanhã será a confirmação do título, o segundo de Jesus desde que está no Benfica. Jesus volta às finais do ano passado (falta a Liga Europa) e pode acrescentar mais uma presença no jogo decisivo da Taça da Liga. Se no ano passado, o Benfica tudo o que podia ganhar, este ano o clube da Luz vai ganhar tudo o que perdeu a época transacta. Não será o Rio Ave nem o Olhanense que irão impedir Jesus de acabar aquilo que começou em 2012-13. No ano transacto, o Benfica justificou os títulos mas não os agarrou, este ano será diferente. O mérito é todo do treinador que não atirou a toalha ao chão nos momentos dificeis e soube corrigir os erros. Esta é a prova que o técnico encarnado não é tão "burro" ou "burgesso" como se pensa. É um dos melhores treinadores portugueses e os títulos ficam lhe bem.

No Meio

Militares e Assunção Esteves -  Na semana passada coloquei estas duas figuras no fundo. No entanto, esta semana tanto a Associação 25 de Abril como Assunção Esteves chegaram a uma solução: os militares vão festejar Abril para o Largo do Carmo e de onde nunca deveriam ter saído, enquanto que os políticos vão continuar a fazer os discursos de circunstância no parlamento, pois é para isso que foram eleitos. Esta polémica só serviu para encher as capas dos jornais mas foram os responsáveis que quiseram aparecer, isto muito devido à falta de educação com que isto foi discutido. No entanto, o diferendo também passou por uma fase de "afecto" e um "café". Também houve rosas.

Em Baixo

Ucrânia - A guerra civil na Ucrânia parece ser uma realidade. Por muitas reuniões e avisos que se façam agora não vai evitar o conflito. As soluções diplomáticas que agora se tentam encontrar já deveriam ter ocorrido, nomeadamente no mês de Fevereiro quando começou a luta armada contra o presidente Yanukovich. Aí, a UE e os EUA deveriam ter adoptado uma solução neutra e não ter ficado ao lado de Yartseniuk e seus camaradas, numa atitude que enervou a Rússia. 

sexta-feira, 18 de Abril de 2014

In Cameron british have faith

David Cameron tem feito um excelente trabalho à frente do governo britânico, ao ponto de ter reduzido o desemprego no país para 6,9%. No entanto, algumas declarações e posicionamentos tem deixado o primeiro-ministro em maus lençois. Cameron parece um pouco conservador demais, e não é sem dúvida um liberal. Depois da sua atitude em relação à UE, Cameron vem agora dizer que os britânicos devem sentir-se mais católicos.

Dizer isto num país que é protestante e nem sequer festeja a actual época é dar um tiro no pé, muito embora. tal como cá, não haja oposição para pegar nas palavras do actual primeiro-ministro. A mim parece que Cameron quer ganhar votos quando estamos a menos de um ano das eleições legislativas. Isso é tudo legítimo, contudo os temas que o partido conservador tem colocado na praça pública são uma tentativa de agradar aos britânicos, que como se sabe são muito complicados no que diz respeito a certas matérias. E essas matérias são a religião, europa, imigração. Nos últimos tempos, Cameron tem cedido à vontade popular. 

Isso não faz dele um líder populista, mas alguém que está atento aos problemas das pessoas, mesmo quando chocam com os princípios políticos dessa figura.

quinta-feira, 17 de Abril de 2014

Regresso aos mercados

Antes da conclusão do programa da troika, Portugal vai regressar em pleno aos mercados na próxima 4ªfeira. Ora não vai ser preciso eleições nem ajudas exteriores para o país garantir a confiança dos investidores externos. Este regresso é um indicativo importante que não vai ser necessário nenhum programa cautelar e que o governo já tomou a opção de sair à portuguesa, como sempre defendi. 

Podemos discutir os custos sociais, os números do desemprego, pobreza e outros, mas a verdade é que o executivo fez um excelente trabalho, porque andou a cumprir o que outros assinaram. Além disso Passos Coelho sempre a maioria do país e a oposição contra si. Se em relação aos portugueses é normal haver desconfiança, já a oposição socialista devia ter sido mais responsável porque também assinou este memorando da troika e as críticas que fez ao longo de três anos também estavam a atingir a sua assinatura. 

Embora sejam necessários mais ajustamentos, daqui para a frente o clima económico vai ser outro. O discurso também será diferente entre todos os sectores da sociedade. Sempre achei que Portugal ia resolver a crise porque o problema nacional é de contas públicas, de muitos gastos em vários serviços do Estado. Não interessa agora arranjar culpados para o que aconteceu porque todos sabemos quem foi, agora é preciso saber como se vai colocar este país a criar riqueza, porque esse também sido um problema. Porque razão é que Portugal cresce tão pouco? Não é decerto por causa de questões de tamanho ou da demografia. 

A Reforma do Estado passa por criar condições de crescimento, mas sobretudo de investimento. As grandes empresas e empresários estrangeiros precisam de ter estímulos para colocar cá o seu dinheiro. E para que isso aconteça foi necessário desbloquear alguma burocracia que estava a impedir a entrada de capital em Portugal. 

O Governo cumpriu a sua primeira missão e até Maria Luís Albuquerque já sorriu....

quarta-feira, 16 de Abril de 2014

O jogo do título é hoje

Era esperado que o jogo referente à 30ª jornada do campeonato fosse o do título, contudo o Benfica não quer repetir o que se passou o ano passado e vai ao Dragão na condição de campeão, se confirmar esse estatuto nos próximos dois jogos em casa frente ao Olhanense e ao V.Setúbal, sendo previsível que o faça já este domingo. 

Mas não.

O jogo do título é hoje porque uma vitória vale a passagem à final da Taça frente ao Rio Ave ou Sp.Braga, o que valerá a condição de favorito no Jamor. 

Para o Benfica este é um jogo importante porque o clube não pode só ganhar o campeonato e tem de vencer a Taça porque já não conquista este troféu há 10 anos, apesar de ter ido ao Jamor em 2005 e 2013. É importante frisar que o clube da Luz é a equipa que mais troféus nesta competição, além disso este ano não deverá haver taça da liga porque o jogo no Dragão vai calhar entre a recepção à Juventus e a ida a Turim, pelo que é provável que Jesus encare este jogo da mesma forma que o fez na primeira mão da Taça de Portugal. 

O jogo desta noite é crucial para o FC Porto depois de ter perdido o campeonato e a Liga Europa. Não sendo a tábua de salvação de Luís Castro nem da estrutura, a vitória no Jamor e à custa de uma vitória na Luz pode acalmar os ânimos e preparar a próxima temporada com cuidado, uma vez que a época 2014-2015 começa com a Supertaça frente ao rival de sempre. E que melhor maneira de iniciar um novo ciclo do que obter uma vitória frente ao eterno rival? Um triunfo na Taça é importante para esta e para a próxima temporada do clube azul e branco. A exibição de hoje também irá determinar a forma como os dragões vão entrar em campo para disputar o última competição em que têm de defrontar o velho rival da Luz, sendo que uma derrota no Dragão que dita a eliminação de uma prova seria difícil de engolir após o afastamento da prova rainha do futebol português. E também estaria fraco no último jogo do campeonato.

Quem vencer o encontro de hoje vai ter vantagem psicológica em relação ao encontro da Taça da Liga bem como no jogo referente à última jornada do campeonato. 

Do "problemas deles" até ao "afecto" foi um instante

A presidente da Assembleia da República decidiu resolver o "problema deles", dos militares, com afecto e um café. 
Ora, a democracia portuguesa não pode chegar a este nível, tanto de um lado como do outro. Já se percebeu que nem Assunção Esteves nem os militares têm um sentido linguístico apurado e muito menos sabem o que é ter perfil de "estadista". Eu fui um dos que aplaudi a nomeação de Assunção Esteves para segunda figura do Estado, mas como não votei estou perfeitamente tranquilo. 

Quem se deve sentir envergonhado foram os deputados que elegeram Assunção Esteves depois de rejeitarem Fernando Nobre, que tinha sido a preferência de Pedro Passos Coelho. De facto, a líder do parlamento quando abre a boca parece que está a falar com um grupo de amigos sentados num café ou esplanada. No entanto, é a atitude demonstrada pelos militares porque mesmo enxovalhados na praça pública pelo poder política, aceitam uma segunda oportunidade para discursarem nas cerimónias do 25 de Abril. Se isso acontecer, o poder político presente vai ser humilhado por estes homens que ainda não perceberam que só fazem parte da história. Nunca do presente ou futuro. 

terça-feira, 15 de Abril de 2014

O governo disse e garantiu

O governo disse mais de uma vez que não vai cortar nos salários e pensões nem aumentar os impostos no próximo orçamento de Estado. Ora, perante isto eu não percebo porque é que a oposição e os cronistas do costume (que costumam estar sempre contra o executivo) continuam a papaguear o mesmo. De facto, não se entende qual a razão de tanta desconfiança e insegurança em relação ao que o governo afirma. 

Seria um suicídio político, não só para o governo mas para o país, que se fizessem mais cortes nos salários e pensões bem como aumentar impostos. Embora Passos Coelho se esteja a lixar para as eleições, há a mínima percepção que mexer nos salários das pessoas vai dar origem a eleições antecipadas. 

O líder da oposição devia ter outro tipo de discurso e atitude. O país já escreveu tudo e mais alguma sobre Seguro, mas este continua na mesma linha e parece que não vai parar até 2015. Tudo por causa das eleições. Até neste ponto há uma diferença clara: O governo não está (ainda) a pensar nas eleições e o PS está obcecado com elas, além do mais seria "má tactica política" meter ao barulho os cortes e o anúncio do aumento do salário mínimo. 

Não é preciso o governo estar sempre a repetir o mesmo, apesar das constantes manchetes do jornais que são o resultado desta oposição socialista sem qualidade. Espero que esta não se sobreponha à vontade do governo em fechar o programa da troika, até porque é o esforço dos portugueses que está em causa. E acrescento: com esta insistência, o PS não está a valorizar o sacríficio das pessoas depois do mesmo partido socialista nos ter colocado no buraco mais fundo que a economia pode conhecer. 

Saúde democrática

Embora se diga muitas vezes que em Portugal as pessoas não se interessam por política, a verdade é que o número de forças políticas tem aumentado. Apesar da elevada abstenção, há quem queira e goste da fazer política, o mesmo é dizer, tem interesse em debater ideias e apresentar projectos. 

Nas próximas eleições europeias vão a jogo 16 partidos, o que demonstra bem a força com que muitas pessoas tentam fazer com que os eleitores vão às urnas. Não será por falta de escolha ou projectos políticos que os portugueses terão razões para ficar em casa no próximo dia 25 de Maio, até porque também é o futuro da Europa que está em causa. 

A presença de 16 partidos, mais 3 do que em 2009, nas próximas eleições é de salutar e só vem reforçar a ideia que o 25 de Abril valeu a pena. Agora é necessário inverter o discurso pessimista das pessoas, mas também é urgente uma melhoria a nível da competência técnica e humana de algumas pessoas que são responsáveis pelos destinos do país. Tanto a primeira hipótese como a segunda demoram tempo e são difícil resolução, mas é possível que com divulgação e informação haja melhorias. 

No ano em que estamos a festejar 40 anos de Abril o sinal dado pelos partidos é importante e penso que nos próximos haverá mais novidades. 

segunda-feira, 14 de Abril de 2014

Pelo menos os benfiquistas andam contentes

É verdade que as pessoas não andam contentes por causa da situação económica do país. Tem razões para isso até porque vão ser anunciadas mais medidas de austeridade. No entanto, o "vermelhão" é capaz de colocar um sorriso nos portugueses durante uns tempos. 

O Benfica está quase a conquistar o título e pelo menos cerca de 6 milhões de pessoas vão ficar contentes, o que corresponde a mais de metade da população. Por este motivo, é provável que a economia nacional cresça neste segundo trimestre do ano, contudo só vamos ter os números finais lá para Setembro. 

A euforia encarnada voltou ao fim de três anos de jejum, mas as conquistas podem não ficar por aqui. Embora ninguém assuma, o Marquês de Pombal já está reservado para o próximo domingo de Páscoa. Será um dia diferente porque joga o Benfica e o trata-se do jogo do título. É verdade, só mesmo excepcionalmente é que a liga poderia disputar-se um domingo, porque a regra é que este dia tem de ser dedicado à família, mas dia 20 é importante que a família benfiquista esteja reunida. 

Os troféus desta época podem não ficar por aqui, mas o campeonato é que conta porque o resto das provas é uma questão de sorte/azar e as finais ainda estão longe, até porque os adversários são o FC Porto e a Juventus, pelo que desta vez pode nem haver mais festas. 

A geração de Abril tomou conta do país

Daqui a poucos dias o país festeja 40 anos de 25 de Abril. Muitos recordam essa data com orgulho, felicidade e esperança, mas outros há que preferiam voltar ao antigo regime. 

Durante o período democrático tem-se ouvido a expressão "eu fiz o 25 de Abril" proferida por várias pessoas. E não falo só de políticos e militares, mas também de empresários, advogados, escritores e cantores. Todos eles reclamam para si uma parte da revolução, porque sentem que fizeram a história de um momento único no país. Ora, nem todos tiveram responsabilidade no conflito e Portugal já passou por períodos muito mais conturbados do que aquele que se verificou em 1974. O problema é que a última revolução antes do 25 de Abril (foi o 5 de Outubro 1910) já não tem ninguém para contar. 

Por estes motivos cada vez que se celebra Abril é feito uma retrospectiva e a pergunta mais colocada é a seguinte: onde estava no 25 de Abril de 1974. A maioria dos intervenientes que conta essas histórias faz parte de uma geração acima do autor destas linhas que nasceu 11 anos depois da revolução. Esta geração que tem a revolução dos cravos na cabeça tomou conta do país. 

Aqueles que hoje estão no poder político, social e empresarial de Portugal foram vítimas da revolução mas ganharam muito com a democracia. De facto, são eles que mandam nos partidos, empresas, justiça e também é por causa deles que a sociedade de hoje é injusta, desequilibrada e imoral, em particular para os que nasceram uma década depois e hoje querem vingar na vida. 

Alguém me disse uma vez que os mais novos nunca vão ter as oportunidades que a geração acima teve, por causa do estado do país. Mas quem é que deixou Portugal neste estado? Foram os que podem mas não pagam impostos ou os que com dificuldade cumprem as suas obrigações fiscais?

Não é por acaso que temos o país neste estado e não falo apenas das contas públicas, dos desequilíbrios orçamentais e tráfico de influências. Os mais novos estão a pagar décadas e décadas de aventureirismo, snobismo e novo riquismo de uma sociedade que aproveitou os anos de prosperidade económica para encher os bolsos sem fazer nenhum. E o pior é que essa geração é muito menos qualificada do que aqueles que hoje começam a sua vida profissional bem como responsabilidades pessoais. 

Quando hoje se fala em dificuldade de acesso ao mercado de trabalho, criar uma família numerosa, ter oportunidades, tudo isso é culpa da geração que viveu Abril quando tinha 20/30 anos. Não é por acaso que se aborda muito o tempo daqueles que são mal remunerados ou explorados no trabalho, não porque não haja dinheiro mas porque a retribuição é injusta e desigual. Parece que muitos ficaram revoltados com o facto de terem perdido muito com Abril, ou então alguns aproveitaram a revolução como uma oportunidade única para enriquecer.

No meio disto tudo há um sinal importante que é o facto da geração que não viveu Abril não se deixar intimidar nem explorar pelos ressabiados da Revolução. Felizmente que a sociedade está a mudar e mais importante do que isso, os jovens de hoje lutam mais e os resultados do seu esforço são positivos. Os novos valores não vão deixar que Portugal fique na mesma e entregue aos velhos do Restelo que precisam de ser bajulados pelos mais novos. A renovação de geração vai ser feita lentamente e isso fará com que Portugal seja mais moderno e consciente das suas capacidades. 

A crise que vivemos é o resultado das más práticas sociais e não só de muitas pessoas que se acham importantes só por causa da sua condição social e financeira.  

domingo, 13 de Abril de 2014

Olhar a Semana - Durão Barroso

O ainda presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, está com vontade de voltar a Portugal. Não falo apenas do seu sentimento pessoal mas político. Nas últimas semanas temos vindo a assistir a um regresso de Durão, mas que ainda não é definitivo porque tem de cumprir o mandato na Comissão Europeia até Outubro. No entanto, Durão já está a marcar terreno para não deixar Marcelo Rebelo de Sousa fugir e ser o escolhido do líder do PSD. 

Embora ainda faltem as europeias de Maio e as legislativas de 2015, as presidenciais de 2016 já mexem porque há inúmeros candidatos da Direita e da Esquerda, mas todos eles negaram já negaram essa hipótese. Na minha opinião fazem bem porque ainda falta muito para as próximas presidenciais e tanto o PSD como o PS podem ter diferentes líderes quando for o acto eleitoral. 

Apesar da qualidade técnica e político para estar à frente da presidência da República, o país ainda não esqueceu a forma como Barroso abandonou Portugal e neste aspecto os portugueses não costumam perdoar. Quem honra os compromissos até ao fim tem mais hipóteses de vencer numa segunda tentativa. Em meu entender os últimos aparecimentos públicos de Barroso não estão só relacionados com o facto de estar a terminar o seu mandato em Bruxelas. Acho que há muito tacticismo na forma como o antigo primeiro-ministro tem abordado os problemas do país. Durão Barroso sempre foi um jogador político, talvez até mais do que Santana Lopes, mas o seu ar angélico tapam muitos enigmas. 

O tempo dirá se Barroso é um dos candidatos às primárias da Direita, mas estou convencido que o actual presidente da Comissão Europeia está na mente de Pedro Passos Coelho para suceder a Cavaco Silva em Belém. 

sábado, 12 de Abril de 2014

Figuras da Semana V

Esta semana as escolhas da semana são as seguintes:

Por Cima

Sport Lisboa e Benfica - A equipa encarnada está em grande e tem representado bem Portugal no estrangeiro. A qualificação para a terceira meia-final da Liga Europa em quatro anos é um sinal que o clube está a caminhar no bom sentido e de volta aos grandes palcos europeus. Em 2011 ficou-se pelas meias finais mas o ano passado não venceu o troféu por uma unha negra. Um ano depois o clube volta à mesma fase e tem pela frente o colosso Juventus. Muitos dizem que é preferível apanhar grandes equipas, mas a vitória só sabe melhor se pelo caminho ficarem as melhores equipas. O Benfica tem aqui uma bela oportunidade para provar que tem treinador e jogadores para se bater frente às melhores equipas da Europa. No entanto, não é só a equipa principal que está de parabéns, porque os juniores bateram o Real Madrid por 4-0 e estão na final da primeira edição da Youth Champions League. Ora, quem é afinal a melhor equipa portuguesa a trabalhar na formação?

No Meio

Vladimir Putin - O leste da Ucrânia tem feito manifestações contra o novo poder instalado em Kiev e o destino de algumas cidades como Donetsk, Luhansk e Kharkiv parece o mesmo que teve a capital no início de Fevereiro. Embora não seja directamente responsável pelo que se está a passar no leste da Ucrânia, Putin tem aqui um argumento de peso para travar Yartseniuk, Tymoschenko e outros de se virarem completamente para a União Europeia. Os novos homens fortes de Kiev esqueceram-se que Yanukovich foi eleito precisamente porque obteve mais votos no leste do país do que a futura candidata presidencial, Yulia Tymoschenko. Um outro aspecto importante e que garante a Putin meios para negociar é o gás. Tanto a Europa como a Ucrânia estão dependentes da Rússia para se servirem do gás. Perante estes dois cenários, tanto Kiev como Washington estão obrigados a negociar com Moscovo. Neste momento, Vladimir Putin recuperou alguma da desvantagem que tinha tido no início do conflito. 

Em Baixo

Militares de Abril e Assunção Esteves - Esta semana assistimos a mais um episódio negativo na política portuguesa. A Associação 25 de Abril, que integra alguns dos militares, pretendem usar da palavra nas comemorações oficiais da data que se celebra na Assembleia da República. Ora, isto nunca aconteceu porque os militares não são forças políticas e cabe aos representantes daquelas utilizar a palavra, até porque estão na sua casa. Alguns vieram a público fazer birrinha e ameaçar com uma ausência das comemorações. A presidente da Assembleia da República, a segunda figura mais importante do país, teve declarações públicas infelizes sobre este assunto e disse não se importava com a eventual ausência. Depois da falta de educação por parte da chefe parlamentar, os militares voltaram a fazer nova birrinha. Infelizmente é isto que caracteriza a nossa política e os nossos líderes. Está na altura dos nossos governantes fazerem uma escolha: ou mudam de comportamento, vocabulário e atitude ou então vão-se embora. 

Bandeira do Afeganistão

A actual bandeira do Afeganistão foi adoptada pelo governo de transição em 2002 e tem semelhanças à utilizada pela monarquia entre 1930 e 1973, a única diferença a nova bandeira que não tem o shahada no meio do brasão onde foi colocada uma mesquita, o mihrab voltado para Meca.


A 4 de Janeiro 2004, depois da intervenção norte-americana no país, o brasão foi novamente alterado 

A história diz que:

O preto significa o passado negro do país

O encarnado as mais de 8 mil lutas separatistas que fizeram parte da história do país

O verde representa sempre o fundamentalismo islâmico


sexta-feira, 11 de Abril de 2014

Maioria para o PS

Nas últimas semanas o jornal i e o Expresso revelaram sondagens onde o PS estava perto da maioria absoluta para as legislativas 2015. Nos mesmos estudos tem-se verificado uma queda acentuada do PSD e do CDS. 

No entanto, é curioso verificar que nas eleições europeias, o PS só tem dois pontos percentuais de vantagem sobre a coligação Aliança Portugal. No escrutínio europeu é o cabeça-de-lista que está em jogo e não o líder do partido, e neste aspecto, Rangel é muito melhor do que Francisco Assis e no dia 25 de Maio haverá uma nova vitória, não do PSD ou de Passos Coelho, mas de Paulo Rangel. 

Embora o PS caminhe para uma maioria absoluta, ainda é cedo para fazer uma análise profunda, até porque vão haver muitas alterações até ao final de 2015. É óbvio que o Governo tem estado atento a esta situação e por isso terá de fazer algumas concessões a nível fiscal. Não sei se o aumento do salário mínimo deverá ser acompanhado por uma redução dos impostos, embora o PM já tenha dito que não há margem para alterar o IRS porque mexeu no IRC. 

As sondagens que vieram a público são também um engano face ao que realmente vale António José Seguro, mas também sobre o estado interno do PS. A partir do dia 17 de Maio o Largo do Rato vai entrar em "conflito" porque o governo está quase a alcançar uma vitória, mais não seja porque limpou a porcaria que os governos socialistas deixaram no país. Alguém tem dúvidas que essa vai ser a mensagem do governo para o próximo ano e meio que falta da legislatura? 

Na minha opinião isso pode não ser suficiente para o PSD obter uma maioria absoluta, mas o CDS estará sempre disposto a dar uma ajudinha a formar governo. 

quinta-feira, 10 de Abril de 2014

A má representação parlamentar chegou ao topo

Quando se ocupa um cargo importante é preciso ser competente naquilo que se faz, mas também passar uma imagem positiva para o exterior, de forma a que os outros tenham respeito por essa personalidade. Todos sabemos o quão difícil é manter a ordem e ter contenção verbal numa era em que são os meios de comunicação social a marcar a agenda. É verdade que qualquer palavra ou frase retirada do contexto é aproveitada para fazer manchete. Este factor obriga a que os responsáveis políticos tenham cuidado naquilo que dizem. 

A presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, voltou a sacar umas das suas, ao ter afirmado que "era problema deles", dos militares, uma eventual ausência das comemorações oficiais do 25 de Abril por não usarem da palavra. Ora, a importância da data deveria ter tido uma resposta mais elevada bem como outro meio que não os jornalistas. Mas não, Assunção Esteves ficou mais uma vez por baixo do tapete e deu aos capitães de Abril razão para não comparecerem nos festejos, sabendo nós o quanto os revolucionários são sensíveis com questões desta natureza. 

Durante o dia de ontem, o Speaker (equivalente ao cargo de Presidente do Parlamento) da Câmara dos Comuns pediu aos deputados que se respeitassem uns aos outros porque havia crianças presentes no debate parlamentar. É impressionante como é que num lado há civismo e do outro estamos perante atitudes de baixo nível. É preciso denunciar as declarações de Assunção Esteves porque ela é a segunda representante do país e tem de substituir o PR em caso de ausência deste. O que seria se Cavaco Silva ou Passos Coelho, e até mesmo António José Seugro, tivesse este tipo de comportamentos?

A qualidade dos políticos não tem só a ver com a sua competência ou honestidade intelectual política e cívica, mas também está relacionado com o saber ocupar o cargo. Este é mais um sinal que prova a fraca qualidade dos nosso representantes e quando isto chega ao topo da Assembleia da República é caso para nos deixar preocupados. E muito...

Evitar a Juventus é o principal desejo

Daqui a pouco Benfica e FC Porto jogam a 2ª mão dos quartos-de-final da Liga Europa e tanto águias como dragões entram em campo com vantagem de um golo. Apesar disso são os benfiquistas que têm a tarefa mais fácil uma vez que ganharam fora de casa. 

Se tudo correr como previsto os dois clubes portugueses vão passar e estar presentes no sorteio de amanhã e que vai definir as meias-finais. Ao contrário do que acontece nos anos anteriores, a Uefa não sorteou as meias aquando dos jogos do quartos. A vontade dos clubes portugueses é não se encontrarem nas meias, contudo uma delas terá de levar com a Juventus. Posto isto, acho que os responsáveis dos clubes portugueses até preferem uma meia-final nacional do que defrontar o gigante italiano. Das quatro equipas presentes a mais fraca será o Basileia caso confirme o apuramento frente ao Valência. Na minha opiniao os dirigentes do Benfica preferem apanhar o FCP e não a Juve e os responsáveis também. 

Era bonito que FC Porto e Benfica se encontrassem na Final de Turim, repetindo a final portuguesa de 2011. O problema é que há um gigante italiano para ultrapassar....

O dia da grande decisão está a chegar

Daqui a um mês o país e a Europa vão ficar a saber de que forma vamos sair do programa de assistência financeira, para doze dias depois a troika ir mesmo embora e nunca mais voltar. 

Até lá a especulação vai ser enorme e como de costume, muitos irão fazer as suas análises. Só há duas hipóteses: ou uma saída limpa à irlandesa ou um programa cautelar. A escolha está nas mãos do governo e não da Europa. Ao menos por uma vez nos deixem decidir o nosso futuro. 

Acredito que Portugal não vai precisar de um programa cautelar porque isso seria criar um clima de dúvida nos próximos tempos. E isso o país não precisa uma vez que já fez todos os sacrifícios necessários. Não digo que a crise vai acabar mas é tempo de aparecerem sinais positivos para que o investimento e o consumo (sobretudo este) sejam uma alavanca para a recuperação económica. Depois disto os números de desemprego e outros indicadores vão diminuir. Contudo, é preciso haver rigor e disciplina. 

É natural que a partir de agora haja mais responsabilidade, bom senso e civismo quando se quer gastar, sobretudo no que toca ao uso de dinheiros públicos. É neste ponto que tem de haver uma mudança por parte deste governo, mas também dos próximos, porque este executivo está a pagar pelas políticas de austeridade que tem implementado. No entanto, apesar da crise acho que Passos Coelho ainda tem tempo para recuperar, até porque a partir de agora, as contradições que atingiam o primeiro-ministro vão-se virar para o líder da oposição, António José Seguro. Estou convencido que todos vão cair em cima do líder socialista dias depois da troika sair de Portugal e acho que Seguro não vai saber reagir a esta derrota, o que trará consequências políticas para o partido socialista.